calle la barcelonesa – vinicius ferreira barth

Gustav_Klimt_010gustav klimt – danaë (1907)

com sinceros agradecimentos à queridíssima poeta argentina romina alves, que, com sua criação half-porteña half-portuguesa, nos proporciona uma sonoridade única, fazendo com que meu próprio texto alcance, oralmente, resultados que eu mesmo não havia previsto. ela é autora do livro lançado agora em 2012 chamado poesía vana, que contém também poemas em português.
apertem play e boa leitura.

[p.s.: quem recebeu o post por email ficou sem o player e com o texto formatado corretamente. aqui na página aconteceu o contrário. os editores de texto dos blogs, afinal, não colaboram.]

i.
asturias
entre dos puntos
misteriosos

mientras camino
y dos ojos

me engolem
de um só gole
dissonante

ii.
tanto a aprender
e me perco em
duas vias

bebo-a

ella se me subiera
hasta la boca
con cada uno de sus
cuarenta y cinco grados
de alcohol
garantizados por
el fabricante

iii.
así es

sol que desce
rolando
escorregando
por vãos em costas
molhadas

planetas que se encuentram
en las noches del astro rey
quedando sin sonido
chicos
ante el exuberante amor de las esferas

iv.
rasgos de saia
ojos así lastimados
a ceia do nosso senhor
nas carnes de
una chica valorosa

por que te quedas
tan moroso?

v.
seca bofetada
que corta la histeria
las preguntas inútiles
el gesto de echar a correr
detrás de alguien
que anda ya tan
lejos

fade-out de um
te quiero

vinicius ferreira barth

um corvo em seis bocas, mais uma

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todo mundo sabe quem é  edgar allan poe. todo mundo sabe que é uma das figuras mais ‘pop’ do nosso tempo, pai de figuras como tim burton. todo mundo sabe o quanto o poema ‘the raven’ de edgar allan poe é famoso e lido e rereretraduzido. todo mundo sabe o quando ele é encenado e gravado e relido. todo mundo sabe, aliás, o quanto ele é bom, e creio que sua força esteja justamente no poder que surge da sua leitura. é divertido sair pela net e pesquisar leituras do poema, que são milhões, e ver o quanto ele é tido em alto prestígio por essa cultura pop contemporânea e por gerações de jovens vampiros românticos ou fãs de gothic metal. obra de alto poder narrativo e imaginário, gerou , além de fãs freakazoids, leituras antológicas de grandes nomes do cinema anglófono. meu foco aqui não é fazer qualquer tipo de análise do poema, que fica pra outra hora e feito por alguém mais capacitado, mas simplesmente reunir e expor algumas leituras de alta qualidade. (que melhor que uma poesia que se torna ainda mais magistral quando oralizada?). várias dessas gravações são bastante conhecidas, bem sei, mas o que de poe não o é? enumero, portanto, por ordem aleatória alguns desses registros, já que não tenho um favorito. vocês podem eleger os seus.

p.s.: acabei não encontrando nenhuma gravação digna das traduções de machado ou pessoa… fico devendo essas.

 

vinicius ferreira barth

 

1. vincent price (1911-1993), que pra sua informação não é só a voz magistral do thriller de michael jackson (o que por si só já é digno de tietagem).

the evil of the thriller

 

2. james earl jones (1931 –), que não é só a voz do darth vader ou do mufasa (o que por si só…)

poe, I am your father

 

3. christopher lee (1922 –), também conhecido como mago malvado do cinema, mais lembrado nos últimos anos por ter sido o saruman do senhor dos anéis.

we can deal with sauron ourselves gandalf. you, and i. one way or another.

 

4. christopher walken (1943 –), protagonista dançante de um dos clipes mais memoráveis da história da mtv, além de ter sofrido uma morte doce pelas mãos da michelle pfeiffer vestida em roupa de couro.

i’m catwoman. hear me roar.

 

5. john astin (1930 –), o  gomez do seriado clássico da família addams. ah, e também o próprio poe.

we danced the mamushka while nero fiddled, we danced the mamushka at waterloo. we danced the mamushka for jack the ripper, and now, fester addams, this mamushka is for you.

 

6. lisa simpson, homer e james earl jones, que desta vez está sendo zoado por um poema que não causa muitos arrepios no bart.

quoth the raven, nevermore, duh!

 

6+1. e por fim, como um tipo de faixa bônus desta postagem, o curta metragem vincent, de tim burton, que é a animação de um poema escrito pelo próprio, lido pelo vincent price. reúne algumas das temáticas mais famosas de poemas do poe, incluindo o urubu. corvo. (uma transcrição do poema está aqui: http://www.timburtoncollective.com/vincent.html)

you’re not vincent price, you’re vincent malloy

maria – guilherme gontijo flores

ntanas sutkus - maratona na universidade, 1959

MARIA

o poeta canta concretos
e paralelepípidos e sonetos
            mas eu –
            eu carne-só
homem em cada parte –
peço apenas por teu corpo
como cristãos rezam hereges
            o pão nosso de cada dia

guilherme gontijo flores

mensagem fragmentária do poeta psicografada pelo outro poeta no exato momento de sua transmissão, ou simplesmente dó… – vinicius ferreira barth

caros, hoje inauguramos a geringonça conhecida por soundcloud, que nos proporcionará a leitura e gravação de alguns poemas. perdi um tempo aqui aprendendo a usar o troço e farei a honra de meter-lhes o negócio no ar. aproveitando ainda pra homenagear o grande pessoa, que me ditou pessoalmente esse poeminha lá do inf… céu. creio que em breve outros trabalhos dos nossos integrantes, que não são bestas nem nada, aparecerão por aqui via oral.
p.s.: inseri neste post a tag ‘audio’, que deverá acompanhar os demais posts sonoros, o que facilitará a localização pra quem sem interessar.

mensagem fragmentária do poeta psicografada pelo outro poeta no exato momento de sua transmissão, ou simplesmente

dó…

peguei no meu …
e pu-lo na minha mão

olhei-o como quem olha
grãos … … ou … …

olhei-o pávido e absorto
como quem sabe estar morto

… … só como…
… … … pouco … …

Vinicius Ferreira Barth