comédia de dores desregradas – bernardo lins brandão

comédia de dores desregradas som de um sileno insolente tramando a própria fuga somos o choque de átomos cadentes e espaço a borbulhar mundos infinitos e sua dissolução a procrastinar a existência na fronteira de cada calafrio a pairar perdido no pós coito da modernidade como grito engolido a desvelar-se sob o sol do meio-dia   bernardo lins brandão Continuar lendo comédia de dores desregradas – bernardo lins brandão

Mirabai

Mirabai foi uma das mais interessantes personalidades do norte da Índia do séc. XVI. Devota de Krishna e poeta, escreveu suas composições no dialeto hindi do Rajastão. Existem muitas lendas ao seu respeito, mas pouco se sabe com certeza sobre sua vida. Dizem que era neta do fundador da cidade de Merta. Seu pai estava no comando de um pequeno território que compreendia doze cidades. Existe … Continuar lendo Mirabai

Hafez e o gazel

Na poesia persa, o gazel é um poema breve, de aproximadamente sete a quinze dísticos cuja rima é aa, ba, ca, etc. Uma de suas características mais marcantes é a afirmação do eu poético através da alusão ao nome artístico do poeta nos versos finais. Mas, como no caso da elegia erótica romana, não se deve pensar, por causa disso, que ele seja uma expressão … Continuar lendo Hafez e o gazel

como água por entre pedras – bernardo lins brandão

como água por entre pedras o pensamento se agita em seu trilho   do ruído nasce a civilização mas é no silêncio que Aquele cujas palavras são as próprias coisas pode ser ouvido   um jarro de água já não nos satisfaz desejamos o rio sua correnteza que encara o mar as manhãs que se escondem por trás das nuvens   exilados do eterno o … Continuar lendo como água por entre pedras – bernardo lins brandão

um ano é pouco

um ano é pouco & claro nós queremos mais nós queremos muito mais queremos tudo agora (citando queen) um ano é pouco mas para nós foi muito muito embora cientes que esse nosso muito ainda seja pouco – a ponta do iceberg derretida espalhada no oceano i.e. perdida i.e. investida sobre nada – por isso nessa nossa pequenez megalomaníaca 4 novos poemas maníacos i.e. cínicos (o riso de um … Continuar lendo um ano é pouco

Omar Khayyam

Omar Khayyam foi um sábio que viveu na Pérsia entre os séc. X-XI. Escreveu textos de matemática, astronomia e metafísica, mas se tornou especialmente conhecido no Ocidente após a tradução de Edward FitzGerald, no século XIX, de alguns de seus rubaiyat. A questão da autoria desses poemas é bastante controversa. É apenas no séc. XII que encontramos uma citação de versos seus e apenas no … Continuar lendo Omar Khayyam

Arseny Tarkovsky

Arseny Tarkovsky (1907-1989), pai do cineasta Andrei Tarkovsky, não foi apenas tradutor de poetas de terras distantes (poetas como Abul’Ala Al-Ma’arri, Nizami, Magtymguly Pyragy), mas também foi, ele mesmo, um poeta de uma terra distante. Não por ter passado a maior parte da vida em Moscou, mas por refletir, em seus poemas, o estranhamento e a admiração que nos causa a leitura da poesia árabe, … Continuar lendo Arseny Tarkovsky

Nazca

homens graves encaram o horizonte e pisam as areias de Nazca em suas linhas feridas a esmo como hereges perfazem um ato de fé é preciso fugir dos males daqui regressar à pátria querida (num mundo de bastidores a verdade cheira a demência) é preciso fazer-se escada saltar por abismos de graça e justiça mais altos  mais desconhecidos  mais claros é preciso colocar a própria … Continuar lendo Nazca

Mais textos de Murilo Mendes

Aproveitando o texto sobre o eterno nas letras brasileiras modernas que postei aqui, gostaria de indicar alguns links para outros textos de Murilo Mendes que estão no Anuário de Literatura, n. 9, 2001, da UFSC. São artigos interessantes para compreendermos melhor as concepções filosóficas que estão no fundo de alguns dos poemas de Murilo dos anos 30-40, bem como para mostrar o seu trabalho como … Continuar lendo Mais textos de Murilo Mendes