“A mazela do mundo”: Ilessi compositora

Ilessi é, sem sombra de dúvidas, a cantora mais poderosa da geração, junto com Juçara Marçal. Dito o ponto central, vamos às novidades; no caso, o disco novo que acabou de lançar pela Rocinante agora em outubro: Dama de espadas. Em sua trajetória de mais de vinte anos de carreira ela contava com apenas três álbuns gravados, Brigador – Ilessi canta Pedro Amorim e Paulo César … Continuar lendo “A mazela do mundo”: Ilessi compositora

Eduardo das Neves (1874-1919)

É certo que a literatura brasileira não tenha muitos exemplos de obras produzidas por aqueles que sempre se encontraram às margens da sociedade, se pensarmos a partir de uma historiografia convencional das poéticas. Raros são os casos como os de Maria Carolina de Jesus ou Lima Barreto. Em geral, nossa produção esteve sempre centrada nas mãos dos homens, mas de homens bacharéis, padres e acadêmicos. … Continuar lendo Eduardo das Neves (1874-1919)

As Folhas Mortas em diálogos e ecos, por Lilian Escorel

“O quebra-cabeças do amor com todos os seus pedaços” Os textos a seguir formam um círculo de vozes em diálogo, cujo epicentro, “Les Feuilles Mortes”, esconde-se no título “La Chanson de Prévert” e se insinua no primeiro verso “Oh, je voudrais tant que tu te souviennes”. Quem conhece Jacques Prévert identifica de imediato o diálogo. Quem não conhece, descobre-o no corpo desta canção de Serge … Continuar lendo As Folhas Mortas em diálogos e ecos, por Lilian Escorel

João do Vale (1934-1996)

Posso começar aqui quase parafraseando Ruth Finnegan e dizer que possuímos uma tradição tanto escrita quanto não escrita de “literatura”, ou, melhor dizendo, de poesia, de poética; que apesar de sermos a cultura mais letrada do ocidente de toda a história, não surpreende a ninguém dizer que as formas não escritas são, certamente, muito mais conhecidas e apreciadas; e que a canção, portanto, figura como a … Continuar lendo João do Vale (1934-1996)

In memoriam Belchior (1946—2017)

Os deuses também morrem. Todos o sabem, talvez até demais. Na verdade, deuses não param de morrer, a todo instante, e todo ano lamentamos uns bons tantos que se vão talvez — ou muito provavelmente — ao nada. Belchior é mais um dos imensos que se vão, mas nos imensos há muitos casos menores, o caso pequeno deles em nossas vidas mesquinha, e Belchior é … Continuar lendo In memoriam Belchior (1946—2017)

A mulher do fim do mundo, de Elza Soares, por Marcelo Sandmann

“Lágrima de samba na ponta dos pés”: uma audição de A mulher do fim do mundo, de Elza Soares  Marcelo Sandmann Concluído e lançado no segundo semestre de 2015, A mulher do fim do mundo, de Elza Soares, é um disco da maior importância. Coroa, de modo surpreendente, a carreira de uma das vozes mais originais de nossa música popular, além de definir alguns parâmetros … Continuar lendo A mulher do fim do mundo, de Elza Soares, por Marcelo Sandmann

Cantar Langston Hughes, por Pedro Tomé: “Manhã Seguinte”

  Então, se a poesia tenta transmitir algo além do que pode ser transmitido nos ritmos da prosa, continua, do mesmo modo, havendo uma pessoa falando a outra; e isso também é verdade se você canta, pois cantar é outra maneira de falar. (T. S. ELIOT) Famoso poeta do blues, Langston Hughes (1902-67) foi um dos pioneiros na expressão da cultura popular negra estadunidense através … Continuar lendo Cantar Langston Hughes, por Pedro Tomé: “Manhã Seguinte”

“Tradução total” de Jerome Rothenberg

Aqui no escamandro tenho feito alguns posts sobre as questão da tradução quando envolvem o corpo, mas quase sempre tratei de tradições ocidentais próximas. Por isso, deixo aqui trechos de uma fala de Jerome Rothenberg (Nova Iorque, 1931 — quem não conhece, sugiro que o faça logo) sobre sua própria experiência na tradução da poesia cantada dos índios Navajo, numa tradução de Luci Collin. No … Continuar lendo “Tradução total” de Jerome Rothenberg

Death speaks/Morte fala, de David Lang, por Luciano Ramos Mendes

death speaks é uma série de 5 canções escritas por David Lang (1957), compositor norte-americano em geral enquadrado (preguiçosamente talvez) como minimalista. Na verdade, seu trabalho envolve procedimentos complexos de colagem (the little matchbox girl passion usa procedimentos de Bach), revisão (love fail reconstrói uma série de momentos da Little match girl e também é uma composição que se dobra sobre si mesma), recriação (Lang fez uma … Continuar lendo Death speaks/Morte fala, de David Lang, por Luciano Ramos Mendes

Murder ballad em 2 casos

a murder ballad é um tipo de balada tradicional, em geral de origem não letrada, com tema de assassinato; sua tradição remonta à era pré-moderna, sobretudo nas regiões da escandinávia, irlanda & inglaterra, para depois serem mais divulgadas a partir do séc. xvii, graças à circulação de textos musicais impressos por toda a europa; por fim, a partir do séc. xviii começamos a ver essa … Continuar lendo Murder ballad em 2 casos