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XANTO|Coopoesia, por Jessica Di Chiara

Não é certo se Homero era um ou vários, e mesmo que fosse um o canto das musas o fazia muitos. Um poeta-coletivo. A filosofia pareceu não gostar muito disso no começo e a república vive em crise desde então. Por isso, pensar a poesia se parece tanto com refazer as relações e então produzir comunidade. (…) Acontece que, quando se juntam, pessoas casam, fundam cidades, jogam bola, fofocam – poetas juntos formam coletivos e ninguém sabe direito o que acontece. Ensaiam uma voz e ela sai dissonante, ruidosa, coral. Um coletivo ensaia Homero ou um país que ainda não existe, o que dá na mesma. Quando junta muita gente a gente só ouve as vogais. (…) Se cada coletivo de poesia fosse uma vogal estaríamos em melhores condições. Coopoesia. O nome engana, não as vogais. Finge uma cooperativa que não acontece, coleciona hiatos. 

Trecho de “aéêiôóu”

Entre 2017 e 2019, o projeto Coopoesia convidou alguns coletivos de poesia em atividade no Rio de Janeiro que produzem, editam, performam e leem poesia coletivamente na cidade. Procurou-se, na ocasião, privilegiar os coletivos cuja produção apontava o desejo de intervir no campo da poesia contemporânea, dialogando especialmente com a poesia publicada em livros e com as questões que têm sido levantadas no debate crítico a partir dos acontecimentos de 2013. Muitos desses coletivos não estão mais reunidos e em atividade e tantos outros coletivos surgiram na cena (sobretudo com a profusão de rodas de slam na cidade a partir da consolidação do Slam das Minas RJ, em 2017), mas as poetas e os poetas e profissionais da cultura que lá atuaram coletivamente continuam intervindo na cena da poesia contemporânea. 

Idealizado por Jessica Di Chiara e Luiz Guilherme Barbosa, Coopoesia pretendeu reunir e disponibilizar ao público leitor e interessado em poesia contemporânea o retrato provisório de um momento de profusão de coletivos de poesia enformado por uma história e uma geografia específicas: a cidade do Rio de Janeiro da década de 2010. Por questões adversas, o projeto foi interrompido antes de sua finalização. Ficamos sem a plaquete do CEP 20.000, o centro de experimentação poética idealizado pelos poetas Ricardo Chacal e Guilherme Zarvos na década de 1980, que sem dúvida foi e continua sendo alicerce de uma certa vivência coletiva da poesia na cidade. Agora, a escamandro abriga o arquivo da Coopoesia, e vocês podem consultar, sempre que desejarem, o conteúdo das plaquetes de Bliss não tem bis, Oficina Experimental de Poesia, Mulheres que Escrevem, Garupa, kza1 e Cozinha Experimental. Cada plaquete traz uma entrevista, uma antologia do coletivo e um ensaio escrito pelos críticos convidados Rafael Zacca, Gustavo Ribeiro, Daniele Magalhães, Julya Tavares, Tarso de Melo e Heyk Pimenta.

Jessica Di Chiara

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Plaquete 0

Plaquete 1 – Bliss não tem bis

Plaquete 2 – Oficina Experimental de Poesia

Plaquete 3 – Mulheres que Escrevem

Plaquete 4 – Garupa

Plaquete 5 – kza1

Plaquete 6 – Cozinha Experimental

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