poesia

8 poemas de gabriel resende santos (1994-)

AHA

 

5 POEMAS DE ELEVADOR 

um carinho nos teus sonhos

o gosto do sucesso
no elevador social com
certeza que o elevador social
foi feito para me servir e aqueles
que voltam pra casa de sapatos,

o gosto do sucesso a
menina mais esperta
me olhar por mais que cinco segundos
antes de desviar-se para o desvio imprevisível
que as meninas mais espertas desviam,

o gosto do sucesso
as mãos naquela perna
os dedos naquela garganta
leve a chuva ácida deslizando
pelos relatórios e óculos de grau,

o gosto do sucesso
estou vivo estou vivo
você está viva também
subindo no seu elevador social
e preparando uma vitamina
de beterraba bem vermelha
talvez,

o gosto do sucesso
quando os corpos fundem-se
na banheira encharcada de
qualquer líquido espesso
sem água as giletes
gentilmente beijando as curvas
até chegar aonde o sucesso chega,

o gosto do sucesso
é só meu depois de três ou quatro dias
ele rasteja
contorce
e derrama-se sucedido na boca
pelas moscas e sapatos pisando
o tapete do elevador social.

§

aulas particulares

não espalhe:
o entendimento é um jogo de morte.

num romance louco sobre matrix viagens interplanetárias
inteligências artificiais e drogas futuristas
o que você entende
é um estalo de inspiração.

quando aceita na estrada
um pobre caronista
e conversas triviais
sobre abate de gado e
literatura norueguesa
revelam para desagrado
de sua boa vontade
o irmão esquizofrênico
e universitário do leatherface
pronde caminha a discussão?

nenhum açougueiro ensina o entendimento.

por isso vence o cordeiro
que sem querer
ensina ao ponto surpreendido
a pular de blake
pra te achar em pound.

§

até amanhã

amanhã tu vai. leva junto
teu romantismo frank booth
e dedo mindinho a única parte
em que sobra amor. queria aninha ficando
comigo e narrar melhor o vácuo nas garras
do namorado. problema é que aninha não curte
ser aninha. vai pra máquina do tempo ouvir
algum hit dos anos oitenta filme de terror em
dose dupla na apresentação do zé. queria comer
uma palavra sobre os exércitos do crack mas estou
pouco musical num mês tão engarrafado. os amigos
viajam por meses namoradas por milênios cachorros
pelos segundos em que o rabo não cansa tivesse eu
o fôlego dos psicopatas. os pastores dizem ô drummond
meu filho sai desse corpo que não te pertence que os poemas
desse moleque gabriel graças a jesus também não. minha parte
consciente fica ofendida e quer briga mas drummond
que é morto forte e rei não me dá bola. porra carlos.

fim de semana tu vai. com um facão debaixo do braço
e uma máscara de halloween pra dar susto em todo mundo
que todo mundo te incomoda demais. olha beleza sim
mas depois não me venha pedir receita de microondas
ou aquele disco emprestado. vai mesmo embora que deus
proteja. se for pra fazer o seppuku faz direito não faz
esguelha com os comprometidos anota o telefone de casa
não morde ninguém se te chamarem aceita tá com calma
que recusa pode ir sem sangue por favor tua memória
é mesmo uma bosta.

§

uma garota hardcore

a felicidade, línguas deslizam,
se veste de preto e pinta o cabelo com
cores primárias.

curte nietzsche desde a quinta série
e aprendeu a contar todos os pelos
de seu bigode velho.

aos treze anos pôs na língua
seu primeiro piercing e
não pretende mais nenhum.

a felicidade escreve em vastos diários
notas sobre seus sonhos, lamenta
não lembrar da maioria.

andou pensando em trocar seu nome
para karen jezkóva, atiçando a curiosidade
dos poetas míopes.

mas a felicidade precisa confessar
pra si mesma que as coisas como estão
não estão más.

perseguindo homens de areia
para mutilar seus dedos dos pés
e beber seus desejos.

§

poema de amor

vale enquanto embaraça as caligrafias
subindo pulando nas menores curvas
do abc.

nas noites duas silhuetas caminhando
lado a lado – dedos entrelaçados
no erro da sombra.

valem contornos de conchas e areia
desenhando princesas nos castelos
e anjos do trópico de capricórnio.

vale sob pijamas pesados acender nos sonhos
o desencontro perfeito e primeiro.

valem samurais cuspindo beijos
e fuzileiros as balas carinhosas
que dão de graça aos fortemente armados
bebês das superpotências.

vale o vhs ressuscitado
e seu desserviço aos amantes
em alta definição. vale o panfleto
na melancolia do fim de eleição.

orelhas máscaras aviões de papel.
tralha voos musas a dez quilômetros de distância.
guarda-chuvas apaixonados pela água
e tampas de caneta carentes.

mas quando o amor
amor se torna (carne arfante)
é bom muito bom até melhor mas
por ausência de fôlego sua urgência
não inspira muitos poetas vivos.

já as cartinhas fantasmagóricas, além de mais
influentes, possuem um incontestável valor histórico.

* * *

3 INÉDITOS

se a coisa tá feia vamos pra lapa

nem tudo é sal no olho
respingo de água fervendo
que te queima os braços
ou aquele ruído de obra que
faz apitar de repente teu ouvido
nem tudo é funcionarismo sádico
e professor de palmatória
as garras do homem mau
que te arranham os lobos
se a insolação nos deixa tontos
vamos nos guiar pela festa
à luz dos arcos que crescem
e põem esperança nos copos cheios
até o dia seguinte

§

poesia é coisa séria

tem oráculo por aí dizendo que poesia é magia
que é feitiço umbandista cristão xamânico
de algo além do real, dimensão multitemporal
divina e transcendente que explica a origem da consciência
humana e animal: bom a poesia é mais ou menos divina
como um pau duro infinito que nunca broxa\

§

ô pessoa, qual é a tua?

louca medusa
se levanta que não é sua hora
ainda é cedo e as caveiras fumam
que prejuízo você me dá
jogando bombas no lago
derramando veneno nas folhas
vai dançar tango com um fantasma vai
se infiltrar na festinha da girafa
e sussurrar samba triste no arpoador
só não vem pra cá com esse bafo de cachaça
e esse olhar de quem comeu o mundo
cara de estrela estrelinha pegadora
sua alma tá cicatrizando feia da última pancada
e do mesmo jeito sei tu pensa que venham outras
pois do contrário não estamos falando de guerra
enquanto tenta manter a cerveja no copo trêmulo
louca
se levanta que não é sua hora
faz um favor: espera até que o vagalume acorde

* * *

Gabriel Resende Santos nasceu no Rio de Janeiro em maio de 1994. Acredita em Rimbaud e Whitman, mesmo sem assumir religião. Gosta de declamar Roberto Piva bem alto pra afastar praga e encosto. Crê na tese de que estamos todos perdidos no labirinto de um minotauro invisível. Patologicamente romântico e tímido, encontrou na poesia um porto relativamente seguro. Já apareceu em antologias e revistas, mas ninguém o reconhece na rua. Acabou de lançar seu primeiro livro de poemas Elevador (Patuá, 2014). Escreve no blog Occam, big bangs & outras explosões (http://hope-landic.blogspot.com) e no coletivo Os Escritores Invisíveis (http://osescritoresinvisiveis.blogspot.com.br/). Traduz de vez em quando.

Padrão
poesia, tradução

3 poemas do velho bukowski, por gabriel resende santos

o nosso amado chuck buck já esteve por aqui, não precisa mais de apresentação
precisa é de mais poemas traduzidos, & de poemas traduzidos mais vezes
por isso o nosso tradutor, gabriel resende santos,
também sem reapresentações,
agora estreiando na tomada da voz alheia.

so cut the crap
& vamos pro que interessa

guilherme gontijo flores

ps: com uma tradução de fernando kroposki para hangovers, em apêndice;
porque ressaca a gente aguenta mais de uma.

ressacas

provavelmente tive mais delas
do que qualquer outra pessoa viva
e elas não me mataram
ainda
mas em algumas manhãs fizeram eu me sentir
horrivelmente próximo
da morte.

como você sabe, o pior dos porres
é o que se toma de estômago vazio, fumando
pesado e se afundando em diversos
tipos de
bebida.

e as piores ressacas são quando você
acorda no seu carro ou num quarto estranho
ou num beco ou na cadeia.

as piores ressacas são quando você
acorda para descobrir que fez
algo absolutamente infame, ignorante e
possivelmente perigoso na noite passada
mas
você não pode lembrar exatamente o que
fez.

e você acorda em vários estados
de desordem – partes do seu corpo
machucadas, perdidos o seu dinheiro
e/ou possivelmente e com frequência
o seu carro, se você tinha carro.

você liga para uma mulher,
se você estivesse com uma mulher,
para com frequência ouvi-la bater o telefone
na sua cara.
ou, se no momento ela estiver por perto,
sentir sua eriçada e ultrajada
raiva.

bêbados nunca são perdoados.

mas bêbados perdoam eles mesmos
porque precisam beber
de novo.

é preciso muita resistência para
ser um bêbado por tantas
décadas.

seus colegas de porre são
mortos por isso.
você mesmo entra e sai
de hospitais
onde o aviso mais frequente é:
“mais uma dose e será o seu
fim”
mas
você supera
tomando mais de uma
dose.

e quando está perto dos
setenta e cinco
você descobre que precisa de ainda mais
bebida para ficar
bêbado.

e as ressacas são ainda piores,
a recuperação é
mais demorada.

e a coisa mais estúpida
é que você não se arrepende
por ter feito isso
tudo
e por continuar
fazendo.

escrevo isto agora
sofrendo uma de minhas
piores ressacas
enquanto lá embaixo
esperam várias e várias
garrafas de
álcool.

tudo tem sido tão bestial
tão adorável,
este rio alucinado,
esta loucura
que me assalta
e arrebata,
e que não desejo a ninguém
além de mim mesmo,
amém.

hangovers

I’ve probably had about more of them
than any person alive
and they haven’t killed me
yet
but some of those mornings felt
awfully near
death.

as you know, the worse drinking is done
on an empty stomach, while smoking
heavily and downing many different
types of
libations.

and the worst hangovers are when you
awaken in your car or in a strange room
or in an alley or in jail.

the worst hangovers are when you
awaken to realize that you have done
something absolutely vile, ignorant and
possibly dangerous the night before
but
you can’t quite remember what it
was.

and you awaken in various states of
disorder – parts of your body
damaged, your money missing
and/or possibly and often your
car, if you had one.

you might place a telephone call to
a lady, if you were with one, most
often to have her slam the phone
down on you.
or, if she is next to you then,
to feel her bristling and outrageous
anger.

drunks are never forgiven.

but drunks will forgive themselves
because they need to drink
again.

it takes an ungodly durability to
be a drinking person for many
decades.

your drinking companions are
killed by it.
you yourself are in and out of
hospitals
where the warning often is:
“one more drink will kill
you.”
but
you beat that
by taking more than one more
drink.

and as you near three quarters of
a century in age
you find that it takes more and more
booze to get you
drunk.

and the hangovers are worse,
the recovery stage is
longer.

and the remarkably stupid
thing is
that you are not unpleased that
you have done it
all
and that you are still
doing it.

I am typing this now
under the yoke of one of my
worst hangovers
while downstairs now
sit various and sundry
bottles of
alcohol.

it’s all been so beastly
lovely,
this mad river,
this gouging
plundering
madness
that I would wish upon
nobody
but myself,
amen.

aquelas garotas que seguíamos até em casa

no ensino médio as duas garotas mais bonitas
eram as irmãs Irene e
Louise:
Irene era um ano mais velha, um pouco mais alta
mas era difícil escolher entre
as duas
elas não eram apenas bonitas mas
espantosamente lindas
tão lindas
que os garotos mantinham-se longe:
tinham medo de Irene
e Louise
que não eram nada inacessíveis;
até mesmo mais amigáveis que a maioria
mas
que pareciam se vestir um pouco
diferente das outras garotas:
sempre usavam salto alto,
blusinhas,
saias,
acessórios novos
a cada dia;
e
uma tarde
meu parceiro, Baldy, e eu
as seguimos da escola
até em casa;
você vê, nós éramos tipo os
marginais do pedaço
portanto isso já era algo
mais ou menos
esperado:
caminhando por uns dez ou doze metros
atrás delas
não dissemos nada
apenas as seguimos
observando
o seu gingar voluptuoso,
o balanço de suas
ancas.

nós gostamos tanto que
passamos a segui-las até em casa
todo
dia.

quando elas entravam
nós ficávamos lá fora na calçada
fumando e conversando

“um dia”, eu disse a Baldy,
“elas vão nos chamar para
entrar e vão transar
com a gente”

“você realmente acredita nisso?”

“claro”

agora
50 anos depois
eu posso te dizer
que elas nunca chamaram
– não importa todas as histórias
que nós contamos aos garotos;
sim, é um sonho
que te fazia seguir
na época e te faz seguir
agora.

those girls we followed home

in junior high the two prettiest girls were
Irene and Louise,
they were sisters;
Irene was a year older, a little taller
but it was difficult to choose between
them;
they were not only pretty but they were
astonishingly beautiful
so beautiful
that the boys stayed away from them;
they were terrified of Irene and
Louise
who weren’t aloof at all;
even friendlier than most
but
who seemed to dress a bit
differently than the other girls;
they always wore high heels’
silk stockings,
blouses,
skirts,
new outfits
each day;
and’
one afternoon
my buddy, Baldy, and i followed them
home from school;
you see, we were kind of
the bad guys on the grounds
so it was
more or less
expected,
and
it was soomething:
walking along ten or twelve feet behind them;
we didnt say anything
we just followed
watching
their voultuous swaying,
the balance of the
haunches.

we liked it so much that we
followed them home from school
every
day.

when they’d go into their house
we’d stand outside on the sidewalk
smoking cigarettes and talking.

“someday”. I told Baldy.
“they are going to invite us inside their
house and they are going to
fuck us.”

“you really think so?”

“sure.”

now
50 years later
I can tell you
they never did
-never mind all the stories we
told the guys;
yes, it’s a dream that
keeps you going
then and
now.

poema da noite sombria

eles dizem que
nada se perde:
ou se perde
tudo.

dark night poem

they say that
nothing is wasted:
either that
or
it all is.

(trad. gabriel resende santos)

APÊNDICE TRADUTÓRIO

Ressacas
(trad. fernando kroposki, tirada do livro essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém)

já tive provavelmente mais delas
do que qualquer outra pessoa viva
e elas não me mataram
ainda
embora algumas manhãs parecessem
muito próximas
da morte.

como você sabe, o pior porre é tomado
de estômago vazio, fumando compulsivamente
e se afundando em vários tipos
diferentes
de bebidas.

e as piores ressacas são quando você
desperta no seu carro ou num quarto estranho
ou num beco ou na cadeia.

as piores ressacas são quando você
desperta percebendo que fez
algo completamente detestável, ignorante e
possivelmente perigoso na noite anterior
mas
você não consegue se lembrar direito
o quê.

você desperta em vários estados
de desordem – danos – em partes
do corpo, seu dinheiro faltando,
e/ou possivelmente e frequentemente
o seu carro, se você tinha um.

você liga para uma mulher,
se você estivesse com alguma,
mais para ouvir ela bater o telefone
na sua cara.
ou, se ela estiver ao seu lado,
então a sentir ultrajada e eriçada
de raiva.

bêbados jamais são perdoados.

mas bêbados se perdoam
porque precisam beber
de novo.

é preciso uma resistência inacreditável para
ser alguém que beba por várias
décadas.

seus companheiros de bar são
mortos por isso.
você mesmo está entrando e
saindo de hospitais
onde o aviso sempre é:
“Mais uma dose e você está
morto.”
mas
você supera isso
tomando mais do que mais de uma
dose.
e quando você está perto dos setenta
percebe que precisa de mais de muito mais
bebida pra te deixar
bêbado.

e as ressacas são piores,
a fase de recuperação é
maior.

e a estupidez mais notável
é que
você não fica descontente
por ter feito
tudo isso
e por ainda
fazer.

escrevo isto agora
sob os efeitos de uma das minhas
piores ressacas
enquanto lá embaixo
me esperam várias e diversas
garrafas de
bebida.

tudo tem sido tão bestial
e adorável,
esse rio insano,
essa loucura
roubada
à mão armada
que não desejo a ninguém
a não ser a mim mesmo,
amém.

Padrão
poesia

gabriel resende santos

assim ele se descreve,

gabriel resende santos é um jovem poeta nascido e criado no rio de janeiro. atualmente dedica-se ao primeiro livro e a alguns trabalhos de revisão. acredita em arthur rimbaud e walt whitman, apesar de não ter religião.”

&, pelo que pude ver nas nossas conversas até o momento, também não tem religião na poesia, coisa rara e louvável neste mundo mequetrefe de grupinhos autófagos. bastar espiar os dois poemas abaixo, pra sacar que o tom, o modus & a voz poética estão em movimento – não desesperadamente perdidos, numa deriva acrítica, mas numa fluidez de registro que tende a aniquilar aquilo que desejamos como “estilo”. pode ser que isso se dê por ser um “jovem poeta”, mas prefiro ver em tal desconcerto uma poética &/ou uma política poética em construção.

& bem que já está no desconcerto entre rimbaud e whitman.

a propósito, eu também acredito neles.

ps: ele também participa de dois blogs: do coletivo os escritores invisiveis e do solitário occam, big bang & outras explosões.

ps2: vejam também alguns poemas na zunái.

guilherme gontijo flores

 * * *

da arte de versar cimento

 ao João

Hoje o dia de louvar o Mestre
que me confessou o criar
                                  a partir do partir do criar.

Hoje o dia de lembrar do Arquiteto
sua cal antiga sua pedra antirocha
o comprimido      e       o      comprimento
                      mili-métricos.

Hoje o hoje do Canônico
as rosas inomináveis
  a desrazão lógica
os retalhos sem berço

                                 Ontem Neto
                                 Hoje Primogênito
                                      do Poema.

Guia completo do homicídio prático

Não basta cuspir a navalha
Não basta mentir os canais vocais e auditivos
Nem pressionar o tórax do passado
Ressuscitando infames esculturas
De ainda mais infames autorias.
Não basta.

É preciso roubar-lhe a máquina
É preciso roubar-lhe os cadernos e guardanapos
É preciso roubar-lhe todas as cores
Certificar-se de todas as revistas
Certificar-se de todos os jornais
Certificar-se de todas as edições independentes
Dos blogs dos e-mails dos depoimentos afetivos.

É preciso matar a memória
Dos amigos mais queridos.
Matar as cartas e os segredos
Nas vistas sem luz.
As leituras gravadas no rádio
Ou apenas de ouvido.

É preciso queimar suas fotos
E deletar seus arquivos.
Usurpar os restos vivos
E lançar nos abismos.

É preciso que tudo volte a ser como era:
Uma folha em branco
E nela o Futuro se acomodando
Na sala de espera.

(gabriel resende santos)

Padrão