Reinaldo Arenas (1943-1990), por Gilberto Clementino Neto

“De modo que Cervantes era manco

De modo que Cervantes era manco;
surdo, Beethoven, Villon, ladrão;
Góngora de tão louco andava de tamanco.
E Proust? Desde já, viadão.

Negreiro, sim, foi Don Nicolás Tanco,
e Virgínia suprimiu-se de um mergulhão,
Lautréamont morreu paralisado em algum banco.
Ai de mim, também Shakespeare era viadão.

Também Leonardo e Federico García,
Whitman, Michelangelo e Petrônio,
Gide, Genet e Visconti, as fatais.

Esta é, senhores, a breve biografia
(puxa, esqueci de mencionar Santo Antônio!)
de quem são da arte sólidos pontuais.”

Gilberto Clementino Neto traduz a poesia de Reinaldo Arenas, ainda pouco conhecida no Brasil. Continuar lendo Reinaldo Arenas (1943-1990), por Gilberto Clementino Neto

Enrique Lihn (1929-1988), por Gilberto Clementino Neto

Enrique Lihn (Santiago, 1929-1988) foi um dos maiores poetas chilenos do século passado. Além de escritor, foi também desenhista e artista gráfico, modalidade através da qual pôde colaborar com o poeta Nicanor Parra e com o cineasta Alejandro Jodorowsky na publicação da collage histórica Quebrantahuesos (1952), que marcou a vida artística chilena à época. Embora seja uma figura de considerável importância para as letras latinoamericanas, … Continuar lendo Enrique Lihn (1929-1988), por Gilberto Clementino Neto