Duas cenas de necromancia na Antiguidade: a Odisseia e o livro de Samuel

Publicado pela primeira vez em 1946, o livro Mímesis, do filólogo e crítico Erich Auerbach, além de ter sido um marco para a crítica literária em geral, também teve uma profunda influência no campo dos estudos da Bíblia pelo viés literário – em “A cicatriz de Ulisses”, o ensaio que abre o livro, e um dos seus mais famosos, o autor compara o estilo do … Continuar lendo Duas cenas de necromancia na Antiguidade: a Odisseia e o livro de Samuel

a música de safo e anacreonte, por leonardo antunes.

  a musicalidade (ou melopeia) da poesia grega arcaica é um fato indiscutível. o que ainda pouco se discute — no brasil — são as nossas possibilidades de recriação dessa melopeia com melodia, ou seja, sua reconstrução como música, tal como os exemplares de poesia trovadoresca (provençal & galego-portuguesa) que nos chegaram com notação musical. os poemas de safo & anacreonte não tiveram essa felicidade. … Continuar lendo a música de safo e anacreonte, por leonardo antunes.

argonáutica 1.605-914 – o episódio de lemnos

o poema épico conhecido como as argonáuticas de apolônio de rodes representa uma das (senão a) obras maiores do período helenístico na antiguidade. diferentemente do que pregavam contemporâneos do autor como teócrito e calímaco (este tendo dito: ‘um grande livro é um grande mal’), autores de poemas menores em extensão, como epigramas, e pensadores de uma poética sucinta, apolônio compõe uma épica de extensão considerável: … Continuar lendo argonáutica 1.605-914 – o episódio de lemnos

traduzir e retraduzir (n)o escamandro

o capítulo primeiro de tradução, reescrita e manipulação da fama literária, de andré lefevere, inicia-se com o seguinte parágrafo: Este livro lida com os intermediários, homens e mulheres que não escrevem literatura, mas a reescrevem. Isso é importante porque eles são, no presente, co-responsáveis, em igual ou maior proporção que os escritores, pela recepção geral e pela sobrevivência de obras literárias entre leitores não-profissionais, que … Continuar lendo traduzir e retraduzir (n)o escamandro

Paladas de Alexandria

Gostaria apresentar aqui três epigramas de Paladas de Alexandria, na tradução de José Paulo Paes. Paladas foi um epigramista do século IV d.C., um escritor de Alexandria que, em seus poemas, nas palavras de Willis Barnstone (citadas por Paes) “reflete sobre a vida no tempo em que as turbas cristãs estavam destruindo a Antiguidade”. Ainda que não compartilhe da visão daqueles que, de Gibbons a … Continuar lendo Paladas de Alexandria

konstantínos petrou kavafis: os sábios

O grego Kavafis (1863-1933) é ainda leitura recente para mim. É, no entanto, impossível não se encantar com o trato que ele dá a temas filosóficos (até agora meus preferidos, em que se encaixa o poema aqui traduzido), além dos chamados temas “históricos” e “sensuais”. É considerado o poeta mais importante da tradição grega moderna, tendo nos deixado 154 poemas de altíssima qualidade. Suas traduções … Continuar lendo konstantínos petrou kavafis: os sábios