“avessa: áporo-antígona” de Guilherme Gontijo Flores

Este post é um lançamento de livro num mundo agora precário do convívio corporal. Ele aguarda seu desdobramento em livrinho material, num futuro próximo. Uma noiva inupta morta, mas que ri e prolifera, a despeito do horror presente e da vertigem da história: aqui, o que é abafado retorna como caruncho num tronco, ou num pote de comida em poética fúngica que realiza um verdadeiro … Continuar lendo “avessa: áporo-antígona” de Guilherme Gontijo Flores

Proêmio da Ilíada, por Matheus Mavericco

Proêmios são grosso modo um resumo supercompacto dos grandes épicos antigos. A diferença é que, em vez de virem acompanhados de elogios geneticamente selecionados de resenhas de jornais de grande circulação, como na capa de trás dos livros, e em vez de entregarem a obra praticamente toda para o leitor, como nos trailers de cinema, o proêmio dava o sabor da técnica e do traquejo … Continuar lendo Proêmio da Ilíada, por Matheus Mavericco

23 tradução para um epigrama de Tibulo, por Matheus Mavericco

Elogiado por Quintiliano no livro X das Instituições Oratórias e lembrado por Ovídio no nono poema do terceiro livro dos Amores, Tibulo é sem dúvidas um nome de destaque dentro da elegia romana, ao lado do próprio Ovídio ou de Propércio. O gênero elegíaco, que remonta à poesia grega arcaica, surgiu na poesia romana pelas mãos de um certo Cornélio Galo, de quem só restam … Continuar lendo 23 tradução para um epigrama de Tibulo, por Matheus Mavericco

Arquíloco de Paros (fr. 128 West), por Matheus Mavericco

A poesia antiga nos encanta com quitutes tais como as peripécias homéricas ou os fragmentos de Safo, mas, se querem saber, nem sempre é fácil degustá-los da maneira devida. Precisamos despir praticamente toda a nossa indumentária conceitual antes de perambularmos pelas veredas da Hélade. O que hoje, por exemplo, nos apetece encontrar em poemas líricos, toda aquela de paz de espírito em saber que para … Continuar lendo Arquíloco de Paros (fr. 128 West), por Matheus Mavericco

23 traduções para um poema de Emily Dickinson (1830-1886), por Matheus Mavericco

Com Emily Dickinson as coisas não funcionavam bem no sentido de sentar pra, digamos, escrever um livro de poemas ou entupir um com o que se tem à mão. Para quem publicou em vida só sete dos mais de dois mil que escreveu, é possível que a graça estivesse noutra coisa que não o amontoado retangular de celulose. Tomemos o caso daquele que começa com … Continuar lendo 23 traduções para um poema de Emily Dickinson (1830-1886), por Matheus Mavericco

CARPE DIEM: 28 versões + 2, por Matheus Mavericco

Existem poemas que conseguem a tremenda felicidade de cravarem uma expressão ou uma palavra na cabeça dos leitores. Nem sempre é sinal de qualidade. Veja o caso de “passar pela vida em branca nuvem”, expressão usada por nossos avós e que foi retirada de um poema de Francisco Otaviano, patrono da cadeira de número 13 na Academia Brasileira de Letras e poeta medíocre, autor, quando … Continuar lendo CARPE DIEM: 28 versões + 2, por Matheus Mavericco

Haicai da rã, de Bashô, por Matheus Mavericco

A internet funciona assim: você está lendo um texto, por exemplo este, clica em dois links, por exemplo esse aqui e esse aqui, e então sua cabeça estoura. Dezenas de traduções, paródias e paráfrases para um poema composto de dez caracteres nipônicos, desses que um tatuador entediado gravaria no seu cóccix em quinze minutos no máximo. O nome disso, caso alguém repare e resolva perguntar, … Continuar lendo Haicai da rã, de Bashô, por Matheus Mavericco

XANTO | Tocar na ferida (Sobre “Outros jeitos de usar a boca” de Rupi Kaur), por Matheus Mavericco

  TOCAR NA FERIDA: Sobre Outros jeitos de usar a boca, de Rupi Kaur. De pijamas e virada pra parede, a jovem deitada parece que descansa. Seu cobertor beje estampado de flores, com o qual a princípio se cobria, foi jogado para o lado a fim de que pudéssemos ver a mancha vermelha primeiro entre as pernas e depois no lençol de cama. O enquadramento … Continuar lendo XANTO | Tocar na ferida (Sobre “Outros jeitos de usar a boca” de Rupi Kaur), por Matheus Mavericco

Primeiro diálogo entre Petrúquio e Catarina, por Matheus Mavericco

Esse aqui é um dos diálogos mais engraçados que já devo ter lido. Acho que não será necessário sequer introduzi-lo. Você já conhece a situação: Catarina é a megera e Petrúquio… Bem. Petrúquio é um Joselito da vida, se é que me entendem. Mais cedo ou mais tardes eles tinham que se topar, e quando se topassem, pensa na cena que não ia dar! Pois … Continuar lendo Primeiro diálogo entre Petrúquio e Catarina, por Matheus Mavericco

Valediction de John Donne, por Pedro Mohallem e Matheus Mavericco

Esse aqui é o famoso poema do compasso. Coleridge uma vez escreveu, salvo engano num diário ou uma coisa assim, que ninguém além de Donne poderia ter escrito este poema. De fato: posto pela primeira vez numa folha de papel chamex reciclado (pode acreditar, foi assim mesmo) em 1611 ou 1612, antes de Donne fazer uma viagem para o continente europeu, “A Valediction: Forbidding Mourning” … Continuar lendo Valediction de John Donne, por Pedro Mohallem e Matheus Mavericco