Um cântico de Inana e Dumuzid

Bem, por sorte eu já falei bastante longamente sobre a deusa Inana, divindade suméria do amor, do sexo, da fertilidade e da guerra (conhecida como Ištar entre os babilônios e possível origem da deusa Afrodite no panteão grego) e seu esposo Dumuzid (ou Tâmuz), num momento anterior aqui no blogue, quando apresentei o poema “A descida de Inana ao mundo dos mortos” (e um outro … Continuar lendo Um cântico de Inana e Dumuzid

Do šīmtu ao fātum: sobre poesia, astrologia e noções de destino na antiguidade

…we make guilty of our disasters the sun, the moon, and the stars; as if we were villains on necessity; fools by heavenly compulsion; (…) My father compounded with my mother under the dragon’s tail, and my nativity was under ursa major; so that it follows I am rough and lecherous. —Tut! I should have been that I am, had the maidenliest star in the … Continuar lendo Do šīmtu ao fātum: sobre poesia, astrologia e noções de destino na antiguidade

“A descida de Inana ao mundo dos mortos”

“A descida de Inana ao mundo dos mortos” é o principal texto por trás de um dos mitos mais célebres do Oriente Médio: a narrativa de Tâmuz e Ištar. Como se sabe, Tâmuz era um deus da vegetação, consorte da deusa do amor, do sexo, da fertilidade e da guerra, e a cada ano, ao chegar o solstício de verão, quando ele morre e renasce, … Continuar lendo “A descida de Inana ao mundo dos mortos”

A invocação dos Orixás na poesia de Audre Lorde, por Thamires Zabotto

Nascida em Nova York em 1934, a poeta, ensaísta e ativista Audre Lorde é reconhecida como uma das figuras mais importantes do feminismo e da luta contra o racismo e a homofobia/lesbofobia nos EUA. Após suas primeiras publicações na revista New Negro Poets, USA, de Langston Hughes ao longo dos anos de 1960, seu livro de estreia na poesia, The First Cities, foi lançado em … Continuar lendo A invocação dos Orixás na poesia de Audre Lorde, por Thamires Zabotto

O festim divino de El – um poema do ugarítico

Ugarit foi uma cidade portuária do Oriente Próximo localizada nos arredores de onde hoje se situa Ras Shamra, no norte da Síria, perto do monte Hérmon e da ilha de Chipre. Ela foi destruída por volta do final da Era do Bronze e, num dos grandes achados arqueológicos do século XX (ainda mais impressionante pelo fato de ter ocorrido por completo acidente), só veio a … Continuar lendo O festim divino de El – um poema do ugarítico

Joseph Campbell sobre a inocência e a experiência

The world’s great age begins anew   The golden years return   The earth doth like a snake renew Her winter weeds outworn; (Shelley) Joseph Campbell (1904 – 1987) é provavelmente o pesquisador de mitologia comparada mais famoso de que temos notícia, sobretudo pelo seu conceito, bastante popular já, da “Jornada do Herói”, promovido pela cultura pop através do mais famoso exemplo do seu uso … Continuar lendo Joseph Campbell sobre a inocência e a experiência

Fando y Lis (1968), de Jodorowsky, um filme-poema

Que bonito es un entierro Que bonito es un entierro Iré a verte al cementerio Con una flor y un perro Con una flor y un perro É comum fazermos algum esforço aqui no escamandro para correlacionar a poesia e outras artes, como a música e as artes visuais. Eu, pessoalmente, se não faço muitos posts sobre essas temáticas, lhes digo que é menos por … Continuar lendo Fando y Lis (1968), de Jodorowsky, um filme-poema

A teoria dos mitos de Northrop Frye

Aproveitando a deixa de uma possível discussãozinha sobre o crítico canadense Northrop Frye (1912 – 1991) que possa ser suscitada pelo meu post anterior sobre uma tradução de “The Sleeper”, de Poe, eu gostaria de compartilhar um trechinho interessantíssimo de uma das maiores obras desse grande crítico e teórico que é a sua Anatomia da Crítica (1957). O terceiro capítulo é o ensaio de sua … Continuar lendo A teoria dos mitos de Northrop Frye

Shelley – duas cenas do ato 3 de Prometheus Unbound

E eis que, por alguma curiosa coincidência, ocorreu que eu acabei, finalmente, defendendo a minha dissertação (que trata de Shelley) nessa última sexta-feira, dia 2, enquanto o aniversário de 221 anos do poeta, nascido em 1792, se deu ontem, dia 4 de agosto. Dada a ocasião, então, parece-me apropriado fazer um post (duplamente) comemorativo. Eu já tratei da poesia de Shelley aqui no escamandro em … Continuar lendo Shelley – duas cenas do ato 3 de Prometheus Unbound

argonáutica 1.605-914 – o episódio de lemnos

o poema épico conhecido como as argonáuticas de apolônio de rodes representa uma das (senão a) obras maiores do período helenístico na antiguidade. diferentemente do que pregavam contemporâneos do autor como teócrito e calímaco (este tendo dito: ‘um grande livro é um grande mal’), autores de poemas menores em extensão, como epigramas, e pensadores de uma poética sucinta, apolônio compõe uma épica de extensão considerável: … Continuar lendo argonáutica 1.605-914 – o episódio de lemnos