essa língua tão áspera: “Gatas Selvagens” e a ~língua bastarda~ de Claire Finch e Élodie Petit, por Izadora Xavier

É manhãzinha e estou ouvindo as vozes de Claire e Elódie com risos ao fundo no ano de 2019. Costumava ter um ouvido difícil quando não olhava os olhos das mulheres antes desse ano de 2019, e então desde que o mundo passou a ser contado em a.p, d.p (antes da pandemia, depois da pandemia), meus olhos pedem descanso e ligo nuvens nos ouvidos. Ouço com … Continuar lendo essa língua tão áspera: “Gatas Selvagens” e a ~língua bastarda~ de Claire Finch e Élodie Petit, por Izadora Xavier

Yves Bonnefoy, por Leila de Aguiar Costa

Yves Bonnefoy (Tours/1923- Paris/2016) é autor de extensa obra poética – em verso e em prosa, nas suas mais variadas fisionomias – e de textos sobre artes visuais, com predileção pela pintura italiana do Renascimento.Se há um motivo a caracterizar sua poética, esse é aquele que o próprio Bonnefoy chama a “presença”: trata-se do mundo, ou melhor, da relação com o mundo e com seus … Continuar lendo Yves Bonnefoy, por Leila de Aguiar Costa

7 poemas de Christophe Tarkos (1963—2004), por Tina Zani

Christophe Tarkos escrevia principalmente em prosa e tinha forte ligação com a performance e a oralidade. Costumava declamar seus poemas sincronizando corpo, voz, expressão e gesto, como se o próprio texto se corporificasse. Os poemas, em sua forma escrita, seguem os princípios dessa poética: concretizam-se performaticamente na diagramação, na pontuação, na mancha que formam sobre o papel e nas escolhas gráficas, por exemplo. Como se … Continuar lendo 7 poemas de Christophe Tarkos (1963—2004), por Tina Zani

Vincent Bounoure, por Natan Schäfer

Depois de estudar na Escola de Minas de Nancy, Vincent Bounoure (Strasbourg, 1928 – Paris, 1996) recusou empregos em pesquisas industriais e militares e juntou-se ao grupo surrealista de Paris na primeira metade dos anos 1950 — grupo do qual ele faria parte até o fim de sua vida. Bounoure notabilizou-se tanto por sua atuação em âmbito internacional — contribuindo, inclusive, para a realização da … Continuar lendo Vincent Bounoure, por Natan Schäfer

3 Odelettes de Gérard de Nerval, por Victor Queiroz

Gérard de Nerval (ou Gérard Labrunie, como fora batizado) é um dos mais importantes escritores românticos de França. Nascido em 1808, na cidade de Paris, perdeu ainda na primeira infância a sua mãe. Estudou no colégio Charlemagne, onde se aproximou de Théophile Gautier, outro grande poeta, com o qual manteve grande e duradoura amizade, tendo frequentado também a boêmia literária do século XIX. Apreciador da … Continuar lendo 3 Odelettes de Gérard de Nerval, por Victor Queiroz

Hans Arp (1886 – 1966), por Natan Schäfer

Hans Arp (1886 – 1966) nasceu em Strasbourg, na Alsacia. Autor de uma obra múltipla de verdade, Arp e suas realizações não conhecem fronteiras. Justamente por isso, poderíamos paradoxalmente afirmar que o lugar por excelência ocupado por Arp, equilibrista à margem da margem em permanente posição de clandestinidade, é exatamente a fronteira, ou melhor ainda, afronteira. Textualmente, expressou-se em francês e em alemão, ambas suas … Continuar lendo Hans Arp (1886 – 1966), por Natan Schäfer

Hopkins, Ronsard, Yeats, por Victor Queiroz

Os três poemas a seguir servem de epígrafes ao meu recém-lançado livro de poemas autorais, Uranium 235. Deles, contudo, apenas o “soneto” de Ronsard foi traduzido para compor o volume: o capítulo dedicado a poemas de amor, que ele de certa forma apresenta, parece deslocado no contexto político que vivemos — de retrocesso extremo e de afirmação desse retrocesso como valor… Precisei tecer um comentário … Continuar lendo Hopkins, Ronsard, Yeats, por Victor Queiroz

As Folhas Mortas em diálogos e ecos, por Lilian Escorel

“O quebra-cabeças do amor com todos os seus pedaços” Os textos a seguir formam um círculo de vozes em diálogo, cujo epicentro, “Les Feuilles Mortes”, esconde-se no título “La Chanson de Prévert” e se insinua no primeiro verso “Oh, je voudrais tant que tu te souviennes”. Quem conhece Jacques Prévert identifica de imediato o diálogo. Quem não conhece, descobre-o no corpo desta canção de Serge … Continuar lendo As Folhas Mortas em diálogos e ecos, por Lilian Escorel

Paul Éluard, por Natan Schäfer

Paul Éluard (1895 – 1952) resistiu. Fazendo nossa sua voz, resistimos. Deixo que, em nossa língua, o próprio Éluard comente seus poemas: “(…) e alguns outros poemas cujo sentido não deixam sombra de dúvida quanto ao objetivo visado: reencontrar a liberdade de expressão para atacar os ocupantes. Então, por toda França, vozes se respondem, cantando para encobrir os pesados murmúrios da besta, para que triunfem … Continuar lendo Paul Éluard, por Natan Schäfer