“Ode — Indícios de Imortalidade”, de Wordsworth, por Ricardo Neves

A poesia aparece em lugares inesperados. Encontrei-me com a “Ode” de Wordsworth lendo um dos livros do conhecido autor de divulgação científica Stephen Jay Gould, “Ever since Darwin”, capítulo “The Child as Man’s Real Father”. Como contraponto à argumentação puramente científica do seu texto, Gould cita um trecho da Ode:   Though nothing can bring back the hourOf splendour in the grass, of glory in … Continuar lendo “Ode — Indícios de Imortalidade”, de Wordsworth, por Ricardo Neves

“À tarde”, de Aureliano Lessa, por Raimundo Carvalho

À tardeAureliano Lessa (1828-1861) I Lá descambou o sol… Vai descorandoManso e manso o cetim vivo-cerúleoE as vermelhas folhagens que recamamO côncavo do céu. Transluz no ocasoPor débil prisma cambiante fachoDe semimortas cores, que se perdemNo azul ferrete do noturno manto.Nevadas franjas flutuando em flocosErram nas abas do dossel da tarde,Como da seda azul que a moça traja,Cândida renda guarnecendo as orlas.Galerna a viração farfalha … Continuar lendo “À tarde”, de Aureliano Lessa, por Raimundo Carvalho

Friedrich Hölderlin, por Gabriel Rübinger-Betti

Friedrich Hölderlin (1770-1843) é considerado um dos nomes mais importantes da primeira fase do Romantismo Alemão. Nasceu em Lauffen am Neckar, em 20 de março de 1770. Em sua juventude, Friedrich Hölderlin era considerado um dos aspirantes mais promissores da filosofia e da literatura alemã, sendo amigo íntimo de Hegel e de Schelling e tendo convivido com Goethe, Novalis e Schiller. Seus primeiros escritos consistem em hinos … Continuar lendo Friedrich Hölderlin, por Gabriel Rübinger-Betti

Goethe (28/08/1749 – 22/03/1832), por Daniel Martineschen

Hoje lembramos do falecimento do velho poeta de Weimar, do olímpico, do rival de Schiller (ele se via mais como rival do que rivalizado), do humanista, do neptuniano (que não acreditava em revoluções, mas em evoluções graduais – oh, sabia de nada, inocente…), do pensador que idealizava um mundo unido pela literatura – essa Literatura Mundial, Weltliteratur, que circula o globo e é qual phármakon, … Continuar lendo Goethe (28/08/1749 – 22/03/1832), por Daniel Martineschen

“A traição da moendeira”, de Goethe, por Mauricio Mendonça Cardozo

“[…]
Estranhamente abandonou o seu chatô,
Onde ele sempre diversão pôde encontrar,
E se ele não tivesse em mãos o seu mantô,
Mas que vergonha que ele então iria passar!
Pois foi assim que alguém, pregando-lhe uma peça,
Pegou-lhe a roupa, pegou trouxa, pegou tudo:
O pobre amigo desvestido até a cabeça,
Por pouco não virou um Adão de tão desnudo.
[…]”
Mauricio Mendonça Cardozo traduz um poema de Goethe. Continuar lendo “A traição da moendeira”, de Goethe, por Mauricio Mendonça Cardozo

Limbo, de Coleridge, por Érico Nogueira

“Lugar estranho, o limbo – um não-lugar, mas… seja –,no qual o tempo e o espaço que rasteja,de voo atado, em pesadelo de escapar,lutam pelo último meio-ser crepuscular, –espaço oco, tempo sem foice de mãos cheiassurdo e infecundo como o cálculo das areias,sem nem sombra de sombra, – ah, mas pra quê flutuaem relógio de sol a luz da lua?
[…]”
Érico Nogueira traduz esse poema menos conhecido de Coleridge. Continuar lendo Limbo, de Coleridge, por Érico Nogueira

Um poema de Victor Hugo por Erick Monteiro Moraes

No post sobre a poesia de Victor Hugo no Brasil (ou sua espantosa escassez), o Guilherme Gontijo Flores levanta a questão dos poetas canônicos descanonizados, isto é, aqueles que todos conhecem, mas ninguém lê. Dentre os autores citados por ele, Goethe e Bilac são os nomes que mais me chamam atenção. O primeiro é o autor de “Kennst du das Land?”, que constitui a epígrafe (quase sempre omitida) da “canção do exílio”, o mais famoso e parodiado poema de nosso Romantismo e, talvez, de toda a nossa literatura. O segundo é vítima … Continuar lendo Um poema de Victor Hugo por Erick Monteiro Moraes

Don Juan de Byron, por Lucas Zaparolli de Augustini, pt. 1

O melhor Canto do Don Juan de Byron à beira do bicentenário de Don Juan   Byron considerava este Canto “muito decente”, e também algo dull, “monótono”. Porém até seus desafetos reconheciam ser aqui um dos seus pontos culminantes. O poeta S. T. Coleridge, merecedor de vária sátira na obra byroniana, é quem diz (dias após a morte de Byron, em 1824) ser a “melhor” … Continuar lendo Don Juan de Byron, por Lucas Zaparolli de Augustini, pt. 1