A entrega amorosa como resistência política dos afetos: Catulo exuzado em Bebedouro

Ainda que o gênero elegíaco exista pelo menos desde o século VII a.C. na Grécia arcaica e tenha se tornado popular graças a poetas como Sólon, Tirteu e Mimnermo, por exemplo, aquilo que veio a se desenvolver em Roma, durante o Período Augustano, estabeleceu-se como um modo muito particular desse gênero, chegando quase a ser considerado um gênero à parte devido à sua peculiaridade. A … Continuar lendo A entrega amorosa como resistência política dos afetos: Catulo exuzado em Bebedouro

XANTO|”Não saber cantar é não ser canto?”, por José Pinto

Casem-se os poetas com a respiração do mundoBaltasar Lopes (Osvaldo Alcântara), poeta cabo-verdiano Escrito em 1942, o poema de Paul Éluard hoje conhecido pelo título ‘Liberté’ foi transportado clandestinamente de França, ocupada pelos nazis, para Inglaterra. Em 1943, o poema foi lançado por aviões aliados nos céus da Europa em guerra e refaço o exercício de imaginar o que poderia ter sentido um judeu num … Continuar lendo XANTO|”Não saber cantar é não ser canto?”, por José Pinto

Ricardo Domeneck

  Em maio de 2020, em meio à pandemia, apareceu em meu pescoço um grande calombo. Meu médico olhava com cara de preocupação, e outro amigo, também médico, mais tarde me disse que já esperava o pior, dado meu intenso e irrefreável tabagismo. Num dia, ao final do mês, o indolor calombo tornou-se uma bola de carne dolorosíssima. Era uma pedra que se formara em … Continuar lendo Ricardo Domeneck

XANTO| Poesia brasileira, livros da década, parte VIII

uma casa para conter o caos dez anos de poesia brasileira [2008 – 2018]seleção, textos & notasGustavo Silveira Ribeiro Continuamos aqui a série de pequenos comentários sobre os livros da década, segundo o crítico Gustavo Silveira Ribeiro. * * * lamber o mundo com a própria línguaCiclo do amante substituível2012 – 7LetrasRicardo Domeneck[Bebedouro – 1977] Ao desdobrar alguns motivos e imagens de seu livro imediatamente … Continuar lendo XANTO| Poesia brasileira, livros da década, parte VIII

Eeva-Liisa Manner (1921-1995), por Ricardo Domeneck

“Contraponto

Tudo despencou do meu colo:
o jardim, o quintal, a casa, as vozes, os quartos,
a criança – segurando uma andorinha e um peixe –
caíram no chão
que empurrava suas pedras.
Eu sou um quarto vazio
cercado por pontos cardeais
e árvores embrulhadas em neve,
frio, frio, vazio.
Mas em minha mão
tudo o que amo ascende –
o quintal, as rosas, o ninho artificial,
perfeitos,
uma casa como vagem, sementes quietas
com morte e moção em seus tecidos,
o pequeno poço, o pequeno cão, a coleira invisível.
Quarto pequeno, janelas pequenas, pequenos, sapatos
de cadarços ágeis para o coração e a corrida.
Os sapatos correm entre câmara e átrio
e sobre o sangue dedos infantis constróem
um cais de pedra para os remadores de pedra.
Sonhos como pedras
nas profundezas,
lidos e dedicados à morte.
E pássaros afinados
flutuam janela adentro –
com um risinho nos bicos:
gotas de Mozart
zart zart”

Ricardo Domeneck traduz a poesia da finlandesa Eeva-Liisa Manner Continuar lendo Eeva-Liisa Manner (1921-1995), por Ricardo Domeneck

Um poema inédito de Ricardo Domeneck (1977-)

para ler mais poemas de Ricardo Domeneck publicados na escamandro clique aqui. * * *   O planeta do mundo De longe todo azul, de muito perto terá outra cor, mas não a esmo. Reações de átomos, essas coisas pequenas. É a certa meia-distância (mas entre o que e o quê?) que as cores multiplicam-se. O palco que está dentro do teatro sem o ser. … Continuar lendo Um poema inédito de Ricardo Domeneck (1977-)

Método Didoico, de Ricardo Domeneck

manual para melodrama é o mais recente livro de ricardo domeneck, publicado pela editora 7letras, fazendo par com o também recente re-lançamento de cigarros na cama (poesia), pela luna parque. manual para melodrama é a primeira publicação em prosa do autor. uma parte deste livro, a primeira parte de “como reagir ao ser abandonado e substituído”, já foi publicado no suplemento pernambuco. trazemos agora a segunda parte, o … Continuar lendo Método Didoico, de Ricardo Domeneck

Poema inédito de Ricardo Domeneck

Texto em que o poeta se dá ares para justificar a lambança da existência Se naquela manhã em que acordamos juntos sobre aqueles lençóis impecáveis, ainda moços, alguma canção escolhida a dedo, perfeita, houvesse soado no quarto, como se vinda de cada parede e, inaudível para nós, emocionara uma plateia que nos era invisível, mas assistia a cada movimento nosso, pernas entrelaçadas, dentes nos dentes; … Continuar lendo Poema inédito de Ricardo Domeneck

“Três pequenas odes a Maximin”, de Ricardo Domeneck

Ricardo Domeneck nasceu em Bebedouro, município do estado de São Paulo, em 1977. Lançou os livros Carta aos anfíbios (Bem-Te-Vi, 2005), a cadela sem Logos (Cosac Naify/7Letras, 2007), Sons: Arranjo: Garganta (Cosac Naify/7Letras, 2009), Cigarros na cama(Berinjela, 2011) e Ciclo do amante substituível (7Letras, 2012). É coeditor das revistas Modo de Usar & Co. e Hilda. Colaborou com revistas literárias brasileiras e estrangeiras, como Cacto (SP), Inimigo Rumor (RJ), Entretanto (Recife), Quimera (Espanha), Green Integer Review (Estados Unidos), Belletristik (Alemanha), entre outras, e seus poemas foram traduzidos para o … Continuar lendo “Três pequenas odes a Maximin”, de Ricardo Domeneck

ricardo domeneck

Ricardo Domeneck nasceu em Bebedouro, município do estado de São Paulo, em 1977. Lançou os livros Carta aos anfíbios (Bem-Te-Vi, 2005), a cadela sem Logos (Cosac Naify/7Letras, 2007), Sons: Arranjo: Garganta (Cosac Naify/7Letras, 2009), Cigarros na cama (Berinjela, 2011) e Ciclo do amante substituível (7Letras, 2012). É coeditor das revistas Modo de Usar & Co. e Hilda. Colaborou com revistas literárias brasileiras e estrangeiras, como … Continuar lendo ricardo domeneck