poesia

Victor Prado

Victor Prado, 21, publicou, por vias independentes e digitais, dois livretos de poesia: Mamute (2015) e Onde Eu Poderia Estar (2016). Em 2016 a Editora Urutau publicou Bastardo, seu primogênito com ISBN. Também já esteve por alguns lugares bem bonitos como: Enfermaria6, Diversos Afins, Jornal RelevO, Mallarmargens, SubVersa, Revista Raimundo entre outros.

* * *

para Ana de Araújo

No campo, as manhãs se formam

No campo,
as manhãs
se formam

Isso já foi dito,

Mas novamente:

No campo, as manhãs se formam como
pequenos adornos que as crianças carregam
por ai

Pequenos brinquedos, esses nossos
velhos dedos: tão sóbrios, tão retilíneos

Distantes dos rizomas, do
líquido viscoso da vida,
do orvalho, da
coisa bêbada como o vento

Essa dança é uma espécie
de sistema hidráulico
Essa curva é um ritmo verde

Mas a mula sempre empaca
ou
O caminho sempre exige, em sua
rigidez, outras chegadas

II

O fedor da casa antiga,

igual o da pele a muito presa
dentro do gesso,

sempre acha um canto, que respinga
tranquilo nos encaracolados das plantas

III

Trabalhosa estação, pronta
a ser onda brava:

Mãe que dá sua benção
a cria que logo adormece:

Essa casa erguida no primeiro Sol
Ereta e rija,
Mas também aberta

IV

A natureza observa

E atua

Tão cotidiana quanto um milagre.

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