poesia

Luis Marcio Silva (1992 -)

1.1

Luis Marcio Silva nasceu na cidade de Franca/ SP. É geminiano sob o regimento do horóscopo Ocidental. Pelo calendário chinês, nasceu no ano do macaco. Pós-Graduando em Letras, pesquisa poesia brasileira pela UNESP de Assis.

*

Sem título

Permita-nos
/Sem a frivolidade dos verdugos/

Um passo que não seja duro e reto ao abismo
Mas retida no seu reverso
Uma lágrima vertida em chuva fina sem dilúvio
que repousa o equilíbrio do orvalho sobre a pétala

E a seiva                     a vingança de um espírito sagrado
/em surdina/
Sem extirpar nossos ossos da terra.

§

Trocadilhos ferinos
 (Os sertões, Euclides da Cunha)

DIPLOMAS E CANUDOS

O sertanejo é antes de tudo um norte.
A terra,
Um triste disparo de trava-línguas;
O homem,
Um tanque tracionado avant-garde,
A guerra,
Não de bater roupas sujas em ruínas,

*
Mas a marcha que centrifuga os trapos
Sobre as dramáticas Troias de taipas.

§

 

Homo Spiritualis
(A caverna dos sonhos esquecidos, Werner Herzog)

HOMO SAPIENS                                                                  

Há quem quebre bêbado uma taça e
No vinho e no sangue se desenhe rupestre
Distanciando-se do corpo de Cristo;

As lentes de vidro muito amigas das areias
Há quem dispense saber disto,
Até mesmo o saibro o mar e o barulho;

HOMO FICTUS

Frente ao mar num domingo,
(o voo suspenso de uma gaivota)
o homem fotografa a família
brinca o ritual do espírito
e da ampulheta:

Califa do tempo e das sereias.

§

3.

um burburinho
e abre-me a fenda do silêncio uma fotografia
a vaga angústia
os nervos
a pupila aberta
a tristeza elíptica
a turva promessa no alvo da alegria.

12.

Angústia

As unhas presas
No cadafalso de remorso
O espelho
E o ruir dos olhos.

As pernas pairam
Na angústia da vida
Se não te governas
A pele que segura os ossos.

§

PUPILAS DE CARONTE

A morte é um livro
negro de contabilidade
best-seller lido na fila
de um banco em estado like;

É unidade de sentido
empreendido de lógica
Matemática em papel
branco a título corrente;

Sem divisa de alforjes,
a língua das finanças é
Uma bolsa de valores
em óbulos cambiantes

Flores secas e moedas
na vitrine de Caronte;
Se não, vis-à-vis,
pauladas a remo do calote.

Em latim, a morte
e seus disfarces
soam reza morta
na língua do sacerdote

Quem não se traduz
em nenhuma parte
no tecido descobre
o fogo do chicote.

A morte é o poder
de três tigres tristes
Com a língua travada
na inércia da carcaça,

Mecanismo de natureza
primitiva;
Espia, a barbárie
da terra devastada.

***

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