poesia

4 poemas inéditos de Marcel Fernandes

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Marcel Fernandes, nasceu em Antonina-PR, na primavera de 86. Além de poeta, é artista visual e apaixonado pelo universo e seus mistérios. Seus poemas já aterrissaram em diversas revistas literárias, como a Escamandro, Germina, Garupa, Parênteses, a americana Gramma Poetry e as portuguesas Enfermaria 6 e Piolho. Pela Kotter Editorial, publicou seu primeiro livro de poemas, O Cochilo do Céu (2018).

* * *

QUALIA

coagulo-me nas frutíferas entranhas da voz
dilacerando o espírito
dissolvendo a paisagem das eras
sou a espuma da palavra
o adorno etéreo do sino
as pernas cansadas do sol
com o útero do silêncio ergo oceanos
tudo transborda sob o cadáver inviolado do belo
visto-me do êxtase da alma, da lama pura da vida
frenético
procuro o equilíbrio no horizonte cardíaco das plantas

§

 

PARADOXO DA NOITE ESCURA

tudo que é eterno desprende-se
feito nuvens antes de nascer o mar
hesitando entre os meandros do tempo
nas copas espiraladas da luz

tudo que é eterno anuncia-se
relâmpagos nos dedos do espaço
flores sopradas no campo de higgs

§

 

PARAÍSO

quando encontrar meu lugar
os rios que hoje me cobrem
serão estradas para o paraíso
verei o sol engolir o horizonte
serei dama e rei no tabuleiro
a bailarina no gume da adaga
serei codorniz para os famintos
a águia que habita meus olhos
me levará ao cume do mundo
e serei enfim serpente livre

§

 

PRELÚDIO

como se bastasse ser pedaço algo
vago, inominável
lustroso por excelência
todas as noites ter a carne consumida pelas plantas
o rosto liso
barbeado pela espada daninha
esquecer o reflexo na lâmina
na primeira hora da história
romper a arca e soltar os animais
ver-se exposto no brilho do sol
e as feridas vertendo no casco
a tarefa é árdua
salvar-se em tempos sombrios é sagrado
a alma remendada pela ignorância
transporta o oceano escondido sob a língua
ando entre as finas camadas de lodo
um crustáceo alado costurando a espuma de sal
nas onze dimensões construo infinitos
os segundos só servem à partida
a coragem se espalha como alimento recém posto
como se bastasse ser
como se bastasse ressonar o caos
e permitir que mais um sol
se erga
sobre o que chamamos humanidade

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