poesia

Viviane Nogueira (1995-)

VivianeNogueira

Viviane Nogueira tem 24 anos, paulistana crescida no interior. É poeta e graduanda em Psicologia no Instituto de Psicologia da USP. É mediadora do clube de leitura Leia Mulheres Osasco. Em 2018, participou do Curso Livre de Preparação do Escritor (CLIPE), na Casa das Rosas. É autora da plaquete Onde estão os holofotes da tragédia (2018, ilustrações de Steffano Lucchini) e do livro Uma casa se amarra pelo teto (Edições Macondo, 2019).

* * *

[A ORDEM DA QUAL FALAM OS MONGES OU A
ORGANICIDADE DOS MOVIMENTOS NO TAI CHI]

a cabeça recai no vidro da janela
as pálpebras do ônibus derrubadas
a palma da mão afundada na face do poema
a folha em branco no caderno
os livros fechados na mochila úmida
a mão afundada nos olhos bem abertos
…………você não sabe onde esteve
…………você não sabe onde está
o ronco do motor os passageiros calados
um homem se levanta no ponto errado do percurso
…………você não diz nada
o céu noturno em luto e a lua a esconder os olhos também
ouvem-se gritos os cães latem sem parar
um gato repousa na cama do quarto de visitas
você pôde ouvir os freios mas
…………o silêncio não era bem uma escolha

§

 

os dedos vacilantes na inércia
estar vivo ou
……………………estar aqui
um quadro negro elétrico pisca e
os números ficam inacessíveis no portão de entrada
os caminhos todos em
vida que segue
……………………nothing changes
os carros continuam a dar partida e
os corpos não se prostram a nenhuma cena
as faces miram à espera de
e a água torna a escorrer da torneira na lavanderia
tudo corre em câmera lenta
as páginas do jornal de ontem sendo viradas
notícias lado a lado à crème brûlée
o sempre um ininterrupto entre os passos
uma paisagem que não nos diz nada
e ainda
um silêncio não se produz

§

 

[UM GALHO BROTA DA GARGANTA DE UM
HOMEM OU UMA LANÇA ARREMATA-ME O PEITO]

todas a horas são horas de viver
e todos os cantos são cantos de
uma sala vazia
não existe parede onde
samambaias possam se apoiar
o sol repousa atrás de um vento
e na estrada que sobe a cuesta
todos os carros correm
……………………………..bem devagar
………………just do it
………………don’t let your dreams
………………be dreams
na boca a eloquência é o silêncio
e o percurso é o do caos
uma mão se enrosca em novelo
enquanto busca o caminho nas
ondas breves da voz
que promete
olhe as vigas no céu
e a estrutura das tartarugas
feitas de nuvem
no em cima de mim tudo é feito de aço
e concreto
as formas geométricas do amor ou
a matemática do um mais um
igual a zero

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