poesia

Adriano Nascimento

Adriano Nascimento nasceu em Januária/MG. É professor universitário. Publicou o livro de poemas Contraluz (2018). Mora em Belo Horizonte/MG. Os quatro poemas abaixo são inéditos.

* * *

TULE
A santa equilibra
três punhais
no peito de tule.
Sobre sua cabeça,
8 estrelas de prata.
Aqui se levanta cedo
e se morre tarde.
Não há o que ver.
Das montanhas
não há segredo.
Em silêncio, as pedras ardem.

§

Meu tio morto
me sorri na foto.
Não pergunto.
Nem ele.
Seguimos os dois
em cerimoniosa
contrição.

§

MÃOS
Frio de pedra, dos dedos:
nuvem nas bordas,
a carne dos olhos – carvão.
Nos seixos – outro;
a curva da luz.
Da neblina escorre o espinho,
sol fatiado.
Manhã posta,
seguimos a chuva
até depois do mar.

§

O verão curvou a tarde de espantos.
E aqui, onde as mangas estragam,
o mormaço sobe a garganta, a alma goteja.
Dá pra ver o longe das montanhas
entre os pingos e a luz.
Apertando bem os ossos, quase se esbarra
naquilo que, mesmo sem ter nascido,
envelheceu.
Uma litania para o azedo ácido,
a linha gelatinosa acesa.

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