poesia

ernesto von artixzffski (1992)

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esse piá é prata da casa, i.e., das não-tão-frias terras de curitiba, & gosta de se apresentar assim:

“Meu nome não é Ernesto, é Sergio Maciel. Nasci aqui em Curitiba mesmo. Tenho vinteum anos. Entrei na UFPR em 2011 (letras português/italiano) e tranquei o curso em 2012, desde então não faço nada oficialmente. Li meu primeiro livro em 2010, aos dezoito anos, e foi Dom Casmurro.”

bom, parece que tem crescido rápido, pelo que vocês podem conferir nos três poemas abaixo.

guilherme gontijo flores

* * *

Sobre minha casa arde a chama da possibilidade.
O jardim é incerto
e meu cão azul, sem razão, dorme ao pé da porta.
Tudo acontece aqui.
Meu quarto e minha sala estão no mundo.
Sou feliz e a flor da morte curva-se no canto do quintal.

* * *

As sombras ainda giram,
na grama,
em torno das pedras.
O tempo não nos pertence mais.
O amor repousa sobre o fogo dos dias.
Quem era de acordar já caminha
— agora, tudo é sono.

* * *

dentro de cada máquina escorre o sangue dos empregados.
dentro de cada máquina escorre o sangue das empregadas, das mulheres e das fêmeas.
dentro de cada máquina, escorre o sêmen dos machos.
dentro de cada máquina.

dentro de cada máquina há uma infinidade de pedras.
dentro de cada máquina, há o choro das lâminas.
dentro de cada máquina há o arrepio e o arrependimento.
sempre dentro de cada máquina.

dentro de cada máquina há ruas sem saída.
dentro de cada máquina, há o cheiro dos mendigos.
dentro de cada máquina, cai a neve esperada.
dentro de cada máquina nunca nascerá nenhuma flor.
dentro de cada máquina.

dentro de cada máquina não cabe a lua.
dentro de cada máquina, há divisões, cimento e dormitórios.
dentro de cada máquina há sempre sirenes.
dentro de cada máquina, cabe a noite e o peito devorado.

dentro de cada máquina, o ar é fumaça.
dentro de cada máquina, moribundos dormem sobre a ponta dos alfinetes.
dentro de cada máquina o banquete não sacia a fome de tantas bocas.
dentro de cada máquina não se faz sexo.

dentro de cada máquina sempre haverá uma navalha para cada carne.
dentro de cada máquina não existe a lembrança das coisas.
dentro de cada máquina, há o pó, a pólvora e o fumo.
dentro de cada máquina, sempre dentro de cada máquina,
há insetos decrépitos, agrupados, abandonados e sós.

mas apenas dentro de cada máquina.

(poemas de ernesto von artixzffski)

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4 comentários sobre “ernesto von artixzffski (1992)

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