poesia

1 poema inédito de Casé Lontra Marques (1985-)

casé

Casé Lontra Marques nasceu em 1985, em Volta Redonda (RJ). Mora em Vitória (ES). Publicou: Indícios do dia (2011); Movo as mãos queimadas sob a água (2011); Saber o sol do esquecimento (2010); Quando apenas se aproximam os rumores de chuva (2009); A densidade do céu sobre a demolição (2009); Campo de ampliação (2009); Mares inacabados (2008). Disponibiliza seus textos eletronicamente no endereço:Casé Lontra Marques. Contato: caselontramarques@gmail.com.

* * *

SEXTO REINÍCIO

Pelo tempo de possuir aquilo que renasceu,
aquilo
que vemos na areia do vidro a vibrar
rente
às retinas, colhidos
pelo
espanto, antes de alcançarmos

o desperdício, aquilo que repartimos porque
ainda
questionamos o que percebemos,

porque ainda abrigamos, como parte do braço,

do fêmur, como parte do baço,
do silício,
do aço em nosso fígado,

porque ainda repelimos, porque ainda violentamos

o que acolhemos; pelo tempo
de
possuir aquilo que renasceu

atravessamos — com as espáduas
mais
próximas das chagas — a ausência

do frio
que nos infecciona,

do calor
que nos corrói: atravessamos,

sobre a água,

seus rangidos, torcendo
estacas
enterradas até o torpor,
ante
um silêncio

……………………………..excessivo,
……………………………..silabicamente arremessados

a uma fala
que nos massacra,

a um balbucio
que nos confina (exceto quando o despedaçamos)

num ritmo inativo

(cujos núcleos reativamos
sempre
que nos mantemos vivos): ao deslocar

a coluna

pela úlcera, duvidamos da materialidade
da
manhã,

da densidade da noite que, distantes
de
toda bruma, alavancamos
……………………do marasmo, já a prever

o rumor de um ato
árduo,
que de repente atinge

uma
intensidade imprevista,

apesar de permanecer circunscrito
……………………………..ao
……………………………..próprio limiar, o rumor

que se abstém de produzir

qualquer
estupor, que se abstém,

portanto, de expandir
……………………a força que o afronta,

enquanto
ocultamos nossos diálogos

— do modo que faríamos
com
as fuselagens de um desastre —

para

antecipar a partilha
dos
vestígios, sobretudo

quando
detemos a deterioração

………………………da
………………………desordem: entre olhos

………………………destituídos

………………………de
………………………delírio: pois buscamos

mais do que o aspecto
sadio
cuja face concedesse

acesso
ao sossego

em que nem o desconforto

nem
o desespero fossem

somados ao espelho

de onde

descolamos os joelhos

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