poesia

3 poemas inéditos de Matheus José Mineiro (1988-)

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Matheus José Mineiro (1988, Zona da Mata de Minas Gerais) integra a Oficina de Experimentação do Poema/MG. Em 2013 lança seu primeiro livro A Cachoeira do Poema na Fazenda do Seu Astral/Selo Tomate Seco. Confecciona artesanalmente a Apologia Poética. Produz o fanzine Estrondo na Bolsa Fetal. Já participou da Off Flip/Paraty, Mostra Poesia Agora/MLP/SP, Poesia F.C/Sesc Campinas, Amostra Grátis/Geringonça/Norte Comum, Interferência Poética/Sesc Tijuca. Publica em jornais e revistas online e impressas do Brasil e Portugal. Estes poemas estão em seu livro editado pela Editora Urutau com titulo Galáxia Pupila.

* * *

é para aproximar o ouvido
no tórax de algum poema
e escutar a manta terrestre
com seus ovários
e toda a formação de rochas,
…………….metais e minerais.
escutar o século,
este velho ferreiro de siderúrgica
fundindo ferro e aço
reaproveitando as altas temperaturas
………………..das nossas cabeças.
cabeça invadida por bisturi cesariano,
esta caixa craniana,
morro sem calçamento,
ladeira para a procissão do rosário,
parede para projeção de curtas-metragens,
quintal para algum ritual místico,
muro para estêncil, cartaz e marretadas.

a cabeça da gente,
a rodovia onde duas carretas se colidem,
o colchão onde um anjo e um demônio
se amaram na primeira madrugada do mundo.

§

olhos que exibem dois curtas-metragens
……………..castanhos cor de amêndoas.
visão caleidoscópica multicolorida de cores
…………………………………………………………..tranquilas.
enthousiásmos e poiésis versus tripalium.
cinema vertebrado projetado nas paredes
………………………..das minhas retinas
ao som do chuvisco e do granizo
rapelando as telhas de amianto
 ………………………..da minha cabeça.
ouço coríntios 13 entre a eucaristia
……………………………………..e a metalurgia
e é como se instalasse no meu corpo
a musculatura dos braços de um babuíno.

permanecemos em busca de átomos de oxigênio
………………………..diante desse sufocamento,
suco de melão morfina para um mofo morfeu,
bulbo de papoula e chá de erva-doce,
pois anseiam arremessar-nos no estômago
da fornalha de algum nabucodonosor,
na colônia penal ou
chumbar-nos na la nef des fous do bosch.

mas estesia, êxtase, transe, delírio,
………….pasmo, catarse, purgação
são princípios ativos, são acessórios bélicos afetivos
que o poema possibilita na subsistência.

§

quando aquela cabra terminar de mastigar
.o calcanhar daquele horizonte,
de mastigar a costela daquele pasto,
descerá do barranco; deixará de ruminar
o capim-gordura e a aridez do azul
……………………….por um minuto
para ruminar todas as nossas expectativas,
…………………………….neurônio por neurônio.
enquanto prossegue a cidade,
esta ferida aberta com martelete demolidor;
a cidade,
estes 6 gansos gritando no quintal do seu crânio.

este sono sem pálpebra.
este choro sem retina.
este grito sem amígdalas.

e a joaninha atravessa sossegadamente
………………………………………..o engarrafamento
mastigando a folhagem esverdeada das palavras,
cruza o mapa e a perturbação metálica
……………………………………………da metrópole;
esta pressa que foi embutida na nuca
como armário de cozinha
com o aço corroído.

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