poesia

ricardo domeneck

Ricardo_Domeneck

Ricardo Domeneck nasceu em Bebedouro, município do estado de São Paulo, em 1977. Lançou os livros Carta aos anfíbios (Bem-Te-Vi, 2005), a cadela sem Logos (Cosac Naify/7Letras, 2007), Sons: Arranjo: Garganta (Cosac Naify/7Letras, 2009), Cigarros na cama (Berinjela, 2011) e Ciclo do amante substituível (7Letras, 2012). É coeditor das revistas Modo de Usar & Co. e Hilda. Colaborou com revistas literárias brasileiras e estrangeiras, como Cacto (SP), Inimigo Rumor (RJ), Entretanto (Recife), Quimera (Espanha), Green Integer Review (Estados Unidos), Belletristik (Alemanha), entre outras, e seus poemas foram traduzidos para o alemão, inglês, castelhano, catalão, francês, holandês, esloveno, sueco e árabe.  Apresentou leituras e performances em Buenos Aires, Cidade do México, Paris, Bruxelas, Madri, Barcelona, Liubliana e Dubai, entre outras. Trabalha com vídeo e a fronteira textual entre o oral e o escrito, apresentando este trabalho em espaços como o Museu de Arte Moderna (Rio de Janeiro), Museo Reina Sofía (Madri), Espai d´Art Contemporani (Castelló-Valéncia), deSingel International Arts Campus (Antuérpia) e Akademie der Künste (Berlim). Traduziu para o português poemas de Hans Arp, Friederike Mayröcker, Frank O´Hara, Jack Spicer, Harryette Mullen, Rosmarie Waldrop e Ezequiel Zaidenwerg. Vive e trabalha desde 2002 em Berlim, na Alemanha, onde uma antologia de seus poemas está no prelo, traduzidos para o alemão por Odile Kennel, a sair pela editora Verlagshaus J. Frank | Berlin.

Abaixo, um dos poemas presentes na primeira edição impressa do escamandro, a ser publicada em breve.

PS: uma pequena atualização: a tradução dos poemas de Domeneck para o alemão foi completada e publicada este ano, sob o título Körper: ein Handbuch. Confiram também nosso post de 2011 sobre o poeta, com mais alguns poemas, clicando aqui.

escamandro

           

Sentença contra mim, online stalker

Chove aqui, nesta península
às margens do Mar Báltico
no extremo norte do seu país,
enquanto sei que você dorme
com outro às margens do Lago
de Constança, no extremo sul.
Mais água é o que ganho
por bisbilhotar suas andanças,
todo ato encontra
sua punição imediata.
Sem conexão por cabos
com o mundo neste quarto
de hotel, sozinho, mal sei
agora qual a previsão
do tempo onde você
se encontra ou se perde,
como se fizesse diferença.
Dizem que o que os olhos
não veem, o miocárdio
não late. Se eu ainda
tivesse o seu número
e se você ainda atendesse
chamadas com o meu, eu
relataria em pormenores
como amo (já) outro,
mas como também
ainda amo alguém
que atende pelo seu nome,
que mora no seu endereço,
que compartilha consigo
irmãos e pesadelos. Moço,
você sabia que a minha
obsessão sempre fora o concílio
de extremos, e como nela
sempre
falho miseravelmente.

(Ricardo Domeneck)

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