poesia, tradução

James Joyce, Finnegans Wake

james-joyceO irlandês James Augustine Aloysius Joyce (1882 – 1941) é provavelmente o mais badalado dos escritores do século XX – qual outro, afinal, tem um dia, como o de hoje, dedicado a si? Ou pior, aliás, não a ele propriamente, mas a um personagem que foi criação sua. E, no entanto, ele teve uma carreira razoavelmente enxuta, consistindo de um livro de contos chamado Dublinenses (1914), o Bildungsroman autobiográfico Retrato do Artista Quando Jovem (1916), o monumental romance Ulysses (1922) e a bizarra obra experimental Finnegans Wake (1939), além de dois livros de poemas – Chamber Music (1907) e Pomes Penyeach (1927) –, uma peça de teatro (Exiles, de 1918) e um livro infantil (O Gato e o Diabo) que brotou meio que espontaneamente a partir de cartas para o seu neto, o terrível Stephen James Joyce. Completam a sua bibliografia póstuma algumas obras mais fragmentárias como Giacomo Joyce, Stephen Hero e o há pouco tempo descoberto Finn’s Hotel, que acaba de ser publicado pela Companhia das Letras na tradução do Caetano Galindo, que fez fama recentemente por conta de sua tradução do Ulysses e desde então tem ficado inacessível com todas as viagens ao castelo de Caras e tudo o mais (mais sobre esse textinho curioso que é o Finn’s Hotel pode ser lido no blog do Caetano no site da Companhia clicando aqui).

Apesar de ter escrito dois livrinhos de poemas, Joyce é melhor conhecido como prosador do que como poeta, o que é perfeitamente compreensível. No entanto, ele merece um lugar nas discussões sobre poética e poesia, não por causa desses dois livrinhos, mas pelo Finnegans Wake – que, como se sabe, ao lado da obra de cummings, Mallarmé e Pound, foi elencado pelos irmãos Campos como base para a poesia concreta, como expresso em seu manifesto.  A princípio visto como um romance, o Wake vai muito além da forma romanesca, mas imagino que seja necessário dizer algumas palavras para explicar o porquê de se afirmar esse tipo de coisa.

Para se começar a entender o que é o Wake é bom partir do Ulysses ou do Retrato. Em ambos os casos temos textos que são difíceis, mas não se trata de uma dificuldade gratuita. No caso do Retrato, porque ele acompanha desde a infância a trajetória de vida do seu protagonista Stephen Dedalus, alter-ego do próprio Joyce, o autor achou que seria razoável empregar uma linguagem que acompanhasse o desenvolvimento da própria linguagem e pensamento do seu protagonista – por isso temos nele um dos começos mais absurdos de qualquer romance do ocidente, escrito na linguagem infantil do idade que o protagonista tinha nesse momento da narrativa: “Once upon a time and a very good time it was there was a moocow coming down along the road and this moocow that was coming down along the road met a nicens little boy named baby tuckoo…”  No caso do Ulysses, esse procedimento continua, sondando os processos de pensamento dos personagens Stephen Dedalus e Leopold Bloom, inclusive em estados algo alterados de consciência (no episódio 9, por exemplo, chamado de Cila e Caríbde, Stephen está bebaço… depois no 15, Circe, há o recurso de alucinações), e, para sermos breves, boa parte dos recursos de que Joyce se vale que acabam deixando a leitura pouco transparente se justificam por conta desse objetivo. E essa é a chave para sairmos do Ulysses e entrarmos no Wake: se o Ulysses é o livro do dia e acompanha os seus personagens nos momentos de consciência, da hora em que se levantam de manhã até quando se deitam de madrugada, o Wake é o livro do sono, em que Joyce aplica técnicas semelhantes para tentar dar conta de representar esse mundo noturno do inconsciente ou subconsciente. E é aí que as coisas começam a ficar mais violentas, porque, como todos sabem, tentar contar um sonho para alguém usando a linguagem normal do cotidiano é uma das experiências mais frustrantes da nossa comunicação, porque o sonho não obedece a uma lógica que não a sua lógica própria, em que as coisas não são exatamente o que elas aparentam (uma pessoa num sonho, por exemplo, pode ser e não ser a pessoa que se vê) e as cenas são instáveis. Portanto, tendo isso como matéria-prima para o livro, Joyce não poderia ficar satisfeito usando uma linguagem mais normal. Eis aí o ponto de entrada do Wake.

Ilustração de John Vernon Lord para o Finnegans Wake (2014)

Mas tem mais: o Wake também não tem bem um enredo ou personagens: em vez disso, ele trabalha com arquétipos míticos (já diz Campbell, não por acaso um dos primeiros estudiosos do Wake, que o sonho é o mito privado, e o mito, o sonho coletivo, havendo portanto uma relação entre as suas linguagens). Um deles é o HCE (Humphrey Chimpden Earwicker), que é o arquétipo paterno masculino heroico e representa todas as figuras que já sofreram uma Queda, desde as mais elevadas, como Adão, Lúcifer ou o gigante adormecido da mitologia céltica Finn McCool, até o político irlandês Charles Parnell (que sofreu famosamente uma queda simbólica, causada por um escândalo sexual que abalou sua carreira política), o personagem carrolliano Humpty Dumpty e o pedreiro Finnegan da canção tradicional “Finnegan’s Wake” (que dá título ao livro), que cai do andaime e ressuscita no velório quando derrubam uísque no seu caixão. A esposa de HCE é ALP (Anna Livia Plurabelle), um arquétipo feminino materno, que é representada ao mesmo tempo por um rio (enquanto HCE é uma fálica montanha), mais especificamente o rio Liffey, tradicionalmente visto como feminino entre os irlandeses (como bônus, “rio” em gaélico é An, quase o nome Ana), e por uma árvore. As siglas HCE e ALP funcionam como um tipo de assinatura ao longo do texto, marcando sutilmente a presença dos dois arquétipos sem que seja necessário mencioná-los explicitamente.

Como figuras parentais, os dois estão em vias de serem freudianamente substituídos – HCE dorme e ALP perde as folhas – pelos seus filhos, que são outros três arquétipos: a filha Issy, que representa personagens femininas que tenham sido objeto do desejo masculino, como a Isolda de Tristão (Issy, Isolda…), cujo seu símbolo é uma nuvem (relacionada, portanto, ao rio, que é a mãe), e os dois gêmeos rivais Shem e Shaun, que representam todos os irmãos e rivais, como Caim e Abel, Esaú e Jacó, Set e Hórus, o anjo Miguel e o Diabo, a formiga e o gafanhoto, e assim por diante. Shaun é o “gêmeo bom”, que irá substituir HCE, arranjar um bom emprego (provavelmente como funcionário público) e se tornar o patriarca da família burguesa, ao passo que Shem é a ovelha negra, um artista, poeta e músico, e por isso é marginalizado. Há ainda alguns outros personagens menores, mas esse é basicamente o núcleo do livro. Como as identidades são fluidas e não há personagens fixos, também não há um enredo propriamente dito, mas várias pequenas narrativas que vão se amarrando frouxamente.

A linguagem usada para o livro, então, também reencena essa indeterminação e é composta basicamente de palavras-valise, o que é uma forma mais avançada de trocadilho (para um exemplo brasileiro, pense na linguagem do Catatau de Leminski, que é basicamente joyciano em seu funcionamento), e, mais do que isso, Joyce as cria com base em jogos de palavras interlinguísticos: assim, a primeira palavra do livro “riverrun” é ao mesmo tempo uma combinação óbvia de “river” (rio) e “run” (correr), mas também contém em si uma sugestão de Liv e An (a ALP, portanto, que, lembremos, é o rio) e as palavras “riveranno” (retornarão) do italiano e “revêrons” (sonhemos) do francês. Ela também é, famosamente, a última palavra do livro, porque ele apresenta uma estrutura circular, e a sua última frase deságua no começo. Para quem se interessar pelo assunto, eu mesmo escrevi um artiguinho sobre isso que foi publicado na revista Signo da UNISC e pode ser acessado clicando aqui. Há ainda mais algumas coisas sobre as quais eu poderia me demorar aqui, como o fato de que Joyce se baseou na teoria de Giambattista Vico sobre a história para a estrutura cíclica do Wake, a questão das palavras-trovão (palavras de 100 letras que marcam quedas ao longo do livro) ou o problema posto por alguns críticos sobre se existe um romance tradicionalmente normal por trás da superfície aberrante do texto ou se ela é o que ela é (o que eu pessoalmente acho que é a interpretação mais interessante, sem tentar normalizar o que não é normalizável), mas estamos já correndo o risco aqui de deixar esta introdução longa demais.

O importante, no entanto, é que o que Joyce conseguiu fazer foi criar um texto fertilíssimo, profundamente engraçado (o humor de Joyce tende muito para o obsceno, o que, não por acaso, foi uma das coisas que horrorizou a aristocrática Virginia Woolf) e ao mesmo tempo triste e doloroso. A chave de leitura para se ter acesso a essas coisas, no entanto, repousa não em tentar compreender o texto à moda da leitura tradicional, mas em ir entrando nesse jogo de livre-associação – e as tentativas de tradução do Wake também refletem isso, como fica claro nas traduções feitas pelos irmãos Campos em seu Panaroma do Finnegans Wake (sim, a palavra é panaroma mesmo, em contexto, “panaroma of all flores of speech“), que contém traduções de trechos do livro. Já a tradução integral para o português foi feita por Donaldo Schüller e publicada em 5 volumes pela ed. Ateliê, com o título Finnegans Wake / Finnícius Revém. O Caetano Galindo também vem traduzindo pedaços do livro, e um dos trechos foi publicado na Ilustríssima no ano passado (clique aqui). E, porque tentar traduzir o Wake é o tipo de coisa que diverte gente depravada como nós, eu também tenho brincado aqui e ali. O trecho que eu gostaria de compartilhar com vocês agora, então, é a sequência final, em que ALP se dissolve no mar ao mesmo tempo em que perde sua última folha (sim, o trocadilho com a última folha do livro é intencional) e o (re)começo, um trecho belíssimo, por sinal. Vocês podem acompanhar o texto original no site FinnegansWiki (que conta também com hiperlinks apontando para referências e tudo o mais). Minha tradução começa onde diz “My lips went livid for from the joy of fear” na página 626. O texto prossegue, então, até a página 628, onde a frase inacabada “A way a lone a last a loved a long the” se conclui no “riverrun” da página 3, e eu prossigo mais um pouquinho até a página 5, onde começa a narrativa (?) do HCE, apresentando-o em termos bélicos e bíblicos. A paginação, curiosamente, é algo que tende a ser mantido igual em todas as edições do livro, por isso eu também decidi quebrar aqui as linhas de modo a imitar mais ou menos como é no original, ainda que elas não formem versos de fato (em suma, é o mesmo procedimento do Catatau).

PS: e antes que possam me acusar ou de plágio ou de ter tirado do… erm, da cartola essas interpretações todas sobre o livro, eu gostaria, em primeiro lugar, de creditar o prof. Caetano por boa parte do que eu apresentei aqui (após todos esses anos, afinal, eu já não sei mais ao certo o que é comentário de outros autores, o que é comentário original dele com base nesses outros autores e o que é corrupção minha do que ele ensinou), sem o qual minhas tentativas de leitura (que dirá de tradução) do Wake seriam bem mais difíceis. Em segundo lugar, há também uma rica bibliografia sobre o Wake que inclui, além do Panaroma dos Campos, o livro Para ler Finnegans Wake de Joyce, de Dirce Waltrick do Amarante, o Skeleton Key to Finnegans Wake, de Joseph Campbell, e A Obra Aberta e The Aesthetics of Chaosmos: The Middle Ages of James Joyce, de Umberto Eco, que são uma bela literatura de acompanhamento para quem quiser estudá-lo mais a fundo.

(Adriano Scandolara)

John-Vernon-Lord_Finneganswake2

…Meus lábios livoraram para dá alegria do medo. Como quase agora.
Como? Como você disse que me daria as chaves do coração meu.
E seríamos casados até que amorte fossepare. E mesmo que cin nos
sersparemos. Ó, os meus! Só que, não, agora sou eu quem tem que ceder.
Como fis em si o fes. Ond’água-redonda. E será que nu er hora de mme
ddespedir? Hílas! Queria eut ertido mais relances de tespiar nesta luz crescente
dalvo rada. Mas estás te transformando, aculcha, para além de mim,
eu o sinto. Ou será que sou eu? Estou banzeira. Clareia

afora, dentro aperta. Sim, estás te transformando, maridilho, e
mudando, posso te sentir, por uma filhesposa das colinas
ou travez. Inlamaya. E ela vem. Nadando lago atrás de mim.
Margulhando, vadeando retra. Só um súbito lúbrico audaz vivaz búteo
bote bater de algo paralá, saltilhando. Saltarela componha
se. Tenho pena do seu velhosser ao qual mea costumei. Há umais nova agora.
Tente não ir! Alegria, meus queridos! Que eu me engane! Pois ela
te será doce como eu flui doce quando desci da mãe
minha. Meu grande quarto azul, o ar tão quieto, mal há nuvens.
Em silêncio e paz. Podia ter ficado lencima para sempre apenas.
É algo falha conosco. Primeiro a gente é mágoa. Depois água. E que ela garoe
agora se quiser. Suave ou forte se quiser. Que ela garoe pois
é chegada minh’hora. Fiz o melhor quando pude. Sempre pensando
seu me for tudo vai. Centena de cuidados, dízima de angústias e
há um só alguém que me entenda? Alguém em mil anos e as
noites? Vida toda fui ali vivida entre eles mas agora
começo a letestar-lhes. Letesto seus truquezinhos
mornos. Letesto suas voltas gostosas e más. E toda
golfada galfarra que jorra de suas alminhas. E toda vazão vadia a
gotejar em seus seres sincelos. Minúsculo como é tudo! E eu
me revelando para mim só ver sempre. E o tempo inteiro cuculando. Pensei
que estivesses todo resplandecente com a mais nobre das carruagens. Tudo
abobrinha. Te pensei fabuloso em todas as coisas, na falta e na
fama. Não passas dum simplório. Lar! Meu povo não era seu tipo lá
além até onde posso. Pois por tudo que hade árduo e audaz e
anúvio são elas as rés, as bruxas-do-mar. Não! Nem por todas feras
danças em sua fera dinarmonia. Dá para mim ver entre elas, ala-
-niúvia pulcrabela. Como era bonito, a fera Amaza,
quando se agarrava ao meu outrosseio! E o que é estranha,
soberba Niluna, que ela venha roubar de minhas propríssimas madeixas! Pois
assim são elas procelas. Ho hang! Hang ho! E o encontro de nossos
clamores até primarmos em vera liberdade. Aurévola, dizem, nunca
prestanção ao seu nome! Mas eu os testo os que estão aqui e tudo letesto.
Solunária em minha soltude. Por todas suas falhas. Desmaio. Ó
amargo fim! Terei me folhado antes que acordem. Jamais verão.
Nem saberão. Nem saudade. E é velho e velho é triste e velho é

moroso e triste voltar a ti, gélido pai, gélido pai louco,
gélido pai sombroso e louco, até a vera visão da sua mera
imensão, suas molhas e molhas, a se lamumamurianar, me deixe
salmeada, maroura, e eu corra, só para ti, teus braços serguendo, eu os vejo!
Me sal vadas trríveis pontadas! Dois mais. Um dois
trestão mais. Assim. Avelavalem. Zarparam minhas folhas de mim.
Todas. Mas umainda resta. Eu atrarei comigo. Lembrar-me de. Lff!
Tão garoa esta aurora, tão nossa. Sim. Me leva contigo, baizim, como
naquela vez na feirinha! Seu vi ele descendo sobre mim agora
sob alviabertas asas como se viesse do Arcanciel, afundo
eu morreria a teus pés, me humilho, durmilho, em riverânsia. Sim,
tid. Eis onde. Primeiro. Passamos os ramos, calem-seas calêndulas para.
Uixe! Uma ati. Atis. Ao longe voz. Chega, ao longe! Sencerraqui. Nós
então. Outra Finnavez! Leva. Massuavemeen, mimemória! Até teumile-
-unfim. Lbs. Chaves do. Suas! A via a sós a mor a fim a
lém das

        rivieras, passando Eva e Adão, da curva da costa à boca
da baía, nos leva por um cômodo vico de recirculação de volta
a Howth, Castelo e Entornos.
        Sir Tristão, a violar d’amores, vind’ao breve mar, não reche-
-gava passâncora da Armórica do Norte, do lado de lá do istmo
rugoso da Europa Menor, para cedenfrentar sua guerra penisolar; nem
haviam as rochas de Topessóia pelo rio Oconee selhexagerado até
os górgios do Laurêncio condado enquanto dubliavam seus múmperos
o tempo todo: nem um chá mado ardistância foleado mishe mishe para
tauftauf turfés-petrício: nem ainda, mas sem vanesitar muito,
um cabritim acurdido um Isaac ceco: ainda não, embora tudo seja válido
na vanessidade, irmaviam as sósias sestras enroivado com o doizum nathandjoe.
Roto um pico de malte do pai, tivesse Jhem ou Shen fermentado aluz do
arco e rórido fim ao regiobogre a ser visto solanelado n’aquaface.
        A queda (bababadalgharaghtakamminarronnkonnbronntonnerr-
-onntuonnthunntro-varrhounawnskawntoohoohoordenenthur-
-nuk!) de um comparsalmão walltrora todo restrito é recontecida cedo na cama
e mais tarde na vida por toda a menestrelaria cristã. A grande queda
do murônfalo caudou tão sem aviso prévio o pftjschute de Finnegan,
que até pouco atrás eira im sólito homem, que a rampadampla de sua cucorcanda
prantamente manda um enquisidor rumo ao ocidente frente à busca de seus
dandandedões: e suas apontapiquepontoportagens estão em nocaute
no parque onde laranjas foram enterrujadas sobre o verde desde que
pela prima vez devlin amou livvy.

        Que embates cá deus ejos gen desejos, ostragodos gagam pisci-
-godos! Brékkek Kékkek Kékkek Kékkek! Kóax Kóax Kóax! Ualu Ualu Ualu!
Quaouauh! Onde os partesões bodelérios ainda
buscam matematar Malacos Micgrãos e Verdugos cates-
-calpelam a camibalística dos Uaiteboçais da Cabeça
Encowthberta. Austrigaitas e bumeranstroms. Ovo escolhido, sede-me medo!
Sãoglórios, salve! Armes trogam aos larmes, tronejantes. Mortemorte-
-mor: um foi, um foi. Que acidanças, que custelos se abriram
e ventilaram! Os mefaçamários desagarrados pelos tegotetab-
-solutos! Que vero sentido pelos seus palhos, com que voz
fenomenal de falso hicó. Ah, hora hora, como espre espreilhando vira
o crepósculo o pai dos fornicacionistas mas (Ó, meus fúlgidos astros
e corpo!) como a palmedira o céu altíssimo o celessinal de
suave aviso! Mas vais ir? Ih, solte! Era mera merda? Ora em pás
returfam os carvalhos de entanho, mas olmos cinzaltam onde freixos carvalham.
Phalhe se for a cair, erguer se deve: e ninguém tão cedo também deverá
para a pharsa ao presente momento novir à secular decepscrição de uma fimnix.
        Caipatraz Finnegan, da Mão Titubeante, murário dos livres,
vi via do modo mais largo imarginável em seu cachaceso ante-
-demais pra terrecados, anterior aos juízes josués nos darem números
ou Helvítico cometer deuteronomia (certo levedia ele severamente
brenteu a tete na banheira a fim de laver o futuro de seus fados, mas
antes de rendirá-la ligeiro de novo, pelos mandos de moisés, a própria
água tinha eviporado e tudo guínese havia tido seu êxodo, só
pra te mostrar que camarada pentansjúgico era ele!)
durante muitos estranhos anos esse homem debalde, cimento e edi-
-fícios no Thorpe de Toper, empilhou canturo supra canturo às
margens dos figatos de Hassim’heassado. Tinha a linda pitita Annie
esposinha, ele braçou a pequena criadura. Se quer se caibelos nas mãos, tome
no seu parceiro. Com enquência balbuloso, mitral coco, agarrado à boa
espátula e oleobúrneos macacãos, que sementamava habitacularmente, como
Haroun Childeric Eggeberth ele caligulava por multiplicá-
-veis a maltitude e pantitude até que viuver pela destiluz da
bebida em quêmeos nasceu seu espetápulo redondado de outros diaspor
vir, nualve e reta maisonaria (concedagraça!), um uaauorfe
de um arruinaciel de uma holtura intorriemente holhível, eriginada

a partir de quase nada e celescalando os hímals e tudo, hierarquite-
-tonitiptitoplóftico, com uma sarça ardente em ripa, à coma de seu babilaque
e com lóuros o’túlers clitiritando acima e tombos a’bosckets claus-
-troando abaixo.
        Dos primeiros foi ele a portar armas e um nome: Vassile Bier-
-slef de Riensengueborgue. Seu paquife de heróltica, em verte e
semportes, troublant, argent, um carbrão, poursuivant, cabrunco, cornuto.
Terciado seu escruto, com arqueiros retesando, hélio, da segunda.
Rum é pro rústico rijecendo a ripa. Rô rô rô rô, Senhor
Fim serás outro Finnavez! Fecunda-seira comecedinho e,
Ó, és vinha! Evem domíngua noite e, ah, és vinagre! Rá rá rá rá,
Gra-senhor Fam, serás finado outra vez!

(James Joyce, tradução de Adriano Scandolara)

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